Davi Davino Filho aparece na TV pregando o fim da hegemonia das famílias que atuam na política alagoana. Não dá mais para aceitar “as mesmas ideias, as mesmas promessas, o de sempre”. O ex-deputado estadual é candidato ao Senado pelo Republicanos. Seu alvo exclusivo é, claro, a família Calheiros, dos senadores Renan Pai e Renan Filho. Em busca de um slogan, ele diz ao eleitorado, em tom solene, que Alagoas merece mais.

O ex-prefeito João Henrique Caldas repete, a cada temporada, que “Alagoas não tem dono”, também numa referência aos Calheiros. Por isso, promete “um novo momento” para o estado, com uma “mudança de verdade”. Davino Filho também já recorreu a esse bordão. Nada de inovação nesse palavrório em campanha eleitoral. Pelo contrário.

Falei da busca por um slogan. É o que todos os candidatos fazem a esta altura, a menos de seis meses para o dia do voto. Atacar as velhas dinastias, a tradição da herança política está longe de representar alguma novidade. Aliás, Davino e JHC não podem apelar para essa estratégia – porque ambos são herdeiros de oligarquias.

Então, tirante essa falsa ideia de “romper com a tradição familiar”, nossos pré-candidatos – todos eles, e não apenas os citados – precisam de um slogan para tocar a campanha adiante. Aí o bicho pega. Embora não seja surpresa nenhuma, não deixa de causar espanto a miséria criativa no que vem por aí. É mais do mesmo há séculos.

Aqui, deixamos os políticos de lado, para convocar os marqueteiros, esses craques na arte de criar frases, palavras de ordem e símbolos para embalar a aventura do aspirante a um mandato. O padrão dessas peças de propaganda não muda um milímetro desde que surgiram as campanhas para pescar votos. O “novo” é amplamente caquético.

Chegou a hora da mudança. Muda Alagoas. Fulano fez, Fulano vai fazer muito mais. É a hora da virada. Construindo um futuro. Trabalhando por você. Nossa missão é cuidar das pessoas. Coragem para transformar. Vamos juntos numa revolução de verdade. Um novo tempo está chegando. Fé, trabalho e amor pelo nosso povo. Chama!

No parágrafo acima, uma pavorosa antologia do melhor do pior que a propaganda política é capaz de despejar sobre nós. Sim, os criadores dessa deprimente coleção de platitudes são vistos como “gênios” do marketing eleitoral. Alguns ganham fortunas para reproduzir tamanho atentado à Língua Portuguesa e ao pensamento. Prepare-se!