Luiz Inácio Lula da Silva atacou “o sistema”, as “elites brasileiras”, os “bilionários” e o “andar de cima”. Tudo isso de uma única vez, durante o pronunciamento para Primeiro de Maio, em rede nacional de rádio e TV. Segundo ele, ao longo da História, a cada novo avanço para os trabalhadores, os donos do dinheiro decretavam que o país iria quebrar. Ele citou o 13º salário, as férias remuneradas, o salário-mínimo. É tudo verdade.
Para o presidente da República, “se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”. A eterna resistência ao avanço de conquistas ao povaréu se dá agora com a proposta do fim da escala 6x1. Já escrevi mais de uma vez sobre o tema aqui no blog. Neste momento, o assunto está em debate na Câmara dos Deputados.
O PL e Flávio Bolsonaro foram ao TSE para impedir que Lula falasse sobre a diminuição da jornada de trabalho, alegando que, como isso ainda é um projeto em discussão, seria propaganda de campanha antecipada. Perderam. Sim, é claro que isso estará na pauta da disputa presidencial, e é uma bandeira do PT e da esquerda em geral.
Mas voltemos àqueles termos que abrem o texto. O candidato Lula vai bater nessa linha – a de que seu adversário é o queridinho do andar de cima, dos bilionários, da elite, da entidade chamada de “mercado”. E esse discurso tem como base as ideias e as ações de Flávio Moderado Bolsonaro. Ele não cansa de reafirmar seu modelo de país.
O Zero Um do “mito” ora em prisão domiciliar faz um périplo pelo centro financeiro do país para confirmar de que lado está. Ao falar em convescotes de banqueiros, promete tudo o que essa gentalha espera de um presidente manietado e submisso. Tarcísio de Freitas e Valdemar Costa Neto fazem o mesmo, dia sim, dia também.
Ajuste fiscal e corte de gastos. Quando um milionário ouve essas palavrinhas mágicas, bate um frenesi de satisfação. Isso significa corte brutal em programas sociais, em educação e saúde – para começar. Na prática, mais grana para os cofres já entupidos dessa elite porcaria. O brasileiro escuta essa ladainha picareta desde a pré-história.
Um dia desses, Flávio vacilou e, na ânsia de agradar a essa turma, acabou por revelar parte de seu plano de governo: congelamento do salário-mínimo, extinção de benefícios como Gás do Povo e passar a foice no rendimento de aposentados. Quando percebeu o estrago na opinião pública, saiu desesperado para negar suas verdadeiras intenções.
Contra o sistema e o andar de cima, e na defesa da soberania. “O Brasil não é quintal de ninguém”, disse Lula na TV. É o outro mote da campanha eleitoral, em contraponto ao entreguismo diante dos Estados Unidos visto na ligeireza vulgar de Flávio na relação com Donald Trump. O Primeiro de Maio mostrou a pegada de Lula pela reeleição.
