Quem aparece na foto acima, no dia 20 de agosto de 2019, é o ex-juiz federal Wilson Witzel, então no primeiro ano de mandato como governador do Rio de Janeiro. Vídeos registram o momento em que ele desce do helicóptero na ponte Rio-Niterói, após receber a notícia de que o sequestrador de um ônibus havia sido morto por um atirador de elite da Polícia Militar. O que se vê causou repercussão até internacional.

A cena entrou imediatamente para a galeria das imagens mais grotescas na história da política brasileira. Witzel sai correndo pela pista, dando saltos e socos no ar como se comemorasse um gol. Celebrava a morte como se fosse uma grande obra de sua gestão, mas era apenas a demonstração de uma postura do mundo selvagem.

Expulso do cargo em 2021 após um processo de impeachment tocado por quadrilheiros na Assembleia Legislativa fluminense, o personagem tenta voltar à política este ano. Ele está filiado ao Democrata, o antigo Partido da Mulher Brasileira. Antes, porém, tentou o Democracia Cristã, mas foi barrado pelo presidente, o alagoano João Caldas.

Fábio Zanini informa na Folha que a explicação do pai de JHC para vetar Witzel foi esta: “Ele fez de tudo para entrar no partido. Ligou, fez reunião. Mas eu disse que não. Já tem muito doido no partido”. Não revelou de onde tirou o curioso diagnóstico.

Lembrei que a loucura é atribuída a personagens da política brazuca desde sempre, incluindo nomes que estão por aí. Nos primórdios da República, já tivemos até presidente com fama de lelé da cuca. É o caso de Delfim Moreira, que governou o país por oito meses, entre 1918 e 1919. Vivia entre a realidade e a alucinação.

Em 1960 os eleitores botaram a faixa no peito de Jânio Quadros, que ao longo da vida pública deu incontáveis sinais de ser alguém baratinado. Depois de tentar proibir o uso de biquíni nas praias, e condecorar Che Guevara no auge da guerra fria, renunciou após sete meses de governo. Em suas palavras, teria sido alvo de terríveis “forças ocultas”.

No atual cenário do país, o senador Marcos Do Val, o homem da SWAT no Brasil, volta e meia sinaliza que precisa de tratamento. Seu ídolo Jair Bolsonaro é outro que, no Planalto, também foi chamado de louco em várias ocasiões. Nesse caso, analistas dizem se tratar de método – ou seja, uma loucura calculada, uma estratégia delinquente.

E, com todo o respeito, nos últimos tempos aqui em Alagoas, quem se mostra meio atarantado é Kelmann Vieira, vereador na capital. Suas falas em entrevistas e nas redes sociais, quase sempre, ficam longe do razoável e beiram a anormalidade. Há poucos dias, surgiu usando um adesivo de JHC como bandana. A imagem é bisonha.

Na filosofia popular, loucura mesmo é rasgar dinheiro. Não consta que algum dos citados e demais “malucos” da política tenham o hábito de carbonizar cédulas de real. E, para não esquecer, recorrer a doenças como metáfora não está com nada. É apenas errado. A política é fauna de figuras exóticas e sem noção. João Caldas que o diga.