O que todos querem nesta vida é ter seguidores. Para disputar qualquer posição, para ter chance de ganhar um prêmio, para vender seu produto – música, livro, filme, roupa, maquiagem, carro, pets, terrenos na lua etc. –, garantir uma multidão de seguidores é decisivo. A virada, o momento mágico, a escalada de patamar na sua guerra particular dependem do número de pessoas que seguem seus passos nas redes sociais.

Não seria diferente no reino da política. Assim que que os novos tempos do Metaverso se impuseram, mudando comportamentos e inaugurando outras formas de relações, o jogo do poder político adotou os novos princípios. E um dos tópicos essenciais nessa revolução é espalhar sua mensagem para o maior número possível de pessoas.

Se o influencer – rebolativo ou filosófico – alcança o caminho do ouro via redes digitais, é claro que o político também vai explorar a nova fronteira dos bons negócios. De vereador a presidente da República, todos precisam de seguidores. Aqui uma particularidade: como falamos de política, o seguidor deve ser, mais do que isso, um militante.

Você certamente já reparou que, de vez em quando, sai alguma notícia sobre o ranking de figuras públicas nas redes sociais. Deputado não sei das quantas ganhou milhares de admiradores em tantas semanas. O outro subiu do número X para o número Y e agora “está bombando”. Certo candidato tem “engajamento” recorde. E assim vai.

Há muitos e muitos anos, quando o jurássico Facebook era a principal rede social, explodiu o número de “militantes digitais” que escreviam para defender um deputado ou senador, por exemplo, e para detonar um rival dos elogiados. O militante escreve em seu perfil e comenta os assuntos nos perfis de outros usuários das redes.    

E agora, deixando os entretantos e indo aos finalmentes, aquele político que está explodindo hoje no Instagram é bem capaz de estar surfando a onda do militante imaginário. É tudo forjado. São milhões de perfis falsos a serviço desse ou daquele detentor de mandato. Essa fraude ocorre há pelo menos 15 anos, e não para de crescer.

Há dois pontos centrais sobre o militante fantasma. Primeiro, o negócio é organizado em escala industrial, como o serviço de uma grande fábrica. E, segundo, há pessoas reais usando falsa identidade, com remuneração fixa para a atividade. Sendo mais direto, é a militância que recebe dinheiro. O alcance pode chegar a níveis devastadores.

O trágico é que o país não tem como fiscalizar de modo eficaz os esquemas fraudulentos com os militantes que existem, mas não existem, e a militância cujo “idealismo” custa um pix a cada postagem. Em ano eleitoral, a farsa ganha dimensões de outro mundo.