A pergunta que está em todas as esquinas desde a quarta-feira 13 de maio é esta: Flávio Bolsonaro tem condições morais de continuar candidato a presidente da República? Depois da revelação de sua incrível relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a situação do senador é desmoralizante. Simples assim, como diziam antigamente os pensadores no jurássico Facebook. O discurso do rapaz não combina com a lógica.
Por mais exótico que seja – e bota exotismo nisso –, até ontem o parça do dono do banco Master vendia a imagem de candidato moralmente impoluto. Nada de relações espúrias envolvendo dinheiro e traficância nos porões da política. Sim, o enrolado desde sempre Flávio Bolsonaro repetia o discurso de “combate à corrupção”.
É o carcomido padrão da direita brazuca. Larápios que adoram gritar “pega o ladrão”, para acusar adversários. (Vocês sabem quem atua com esse modelo em Alagoas). Mas isso foi só um parêntesis. Voltemos ao Zero Um. Flávio mentiu sobre contatos com o ex-banqueiro. Escondeu uma relação íntima, atravessada por milhões de reais.
Suas explicações ridículas não convencem ninguém. Ou melhor, convencem o PL e aliados – mas apenas no discurso público, para manter a aparência. Ninguém admite nos microfones e diante das câmeras aquilo que fala na patota. Partidos e lideranças debatem sim os rumos da candidatura. Todos cogitam nomes que possam substituir o sujeito desmoralizado. O dilema é chegar a um acordo sobre as eventuais opções.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o queridinho do mercado, está fora de cogitação. Legalmente não pode concorrer mais a outro cargo que não seja o mesmo que ocupa. Michelle Bolsonaro, a ex-primeira-dama que não aguenta mais cuidar do condenado Jair, aparece nas conversas da turma. Mas enfrenta resistência forte.
Ronaldo Caiado ou Romeu Zema? Que tal Sergio Moro? Se depender da lógica do pai Bolsonaro, tem de ser alguém da família – por isso ele escolheu Flávio. Vamos de Carlos, aquele que estará em Maceió para “acordar o Brasil”? Vejam o nível das alternativas no tabuleiro da extrema direita! O leitor pode pensar em outros nomes.
Não haverá uma decisão imediata, de hoje pra amanhã. Fatos novos, e até novas revelações no caso Master, devem pintar em breve. A turma vai esperar desdobramentos para tomar um rumo. Por enquanto, o candidato segue do jeito que está – moribundo, reduzido a um nanico desonrado. O que, aliás, combina com a trajetória da figura.
