Dos insignificantes bolsonaristas da política alagoana à “elite” da extrema direita em Brasília, o discurso é único: Flávio Bolsonaro pode até ser um ladrãozinho desmoralizado, mas e o PT? E o Lula? É melancólica, embora esteja dentro do previsível, a reação dos seguidores de Bolsonaro e demais aliados da turma. Sem argumento para defender o indefensável, o bolsonarismo apela para o “todo mundo é corrupto”.
Estamos falando de um candidato a presidente tratando um marginal como “irmão”. Estamos juntos para sempre, para o que der e vier, diz Flávio ao amigão Daniel Vorcaro. Até ontem, o filho do Jair andava com uma camisa com a seguinte expressão: “O pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula”. Não, querido. Este é o escândalo do Bolso-Master.
Como já escrevi em texto anterior, a pauta é Flávio Bolsonaro flagrado com a boca na botija, o batom na cueca. Lula não é investigado. Insisto que não se trata de defender o lulismo, o PT ou a esquerda. Mas o bolsonarismo não tem o que fazer além de se afundar na miserável “estratégia de defesa” que é acusar o outro pela sua própria bandalheira.
Desde que a delinquência veio à tona, com as revelações do Intercept, o presidenciável e seu entorno não param de bater cabeça. A cada hora, contam uma versão diferente sobre o esquema com Vorcaro. Entre tantas brechas, uma é urgente: não se sabe o destino de 61 milhões de reais já recebidos do Master. Tem roubo dentro do roubo.
Flávio diz que tudo foi para o filme. A produtora da “obra-prima” diz que “não recebeu um centavo de Vorcaro”. Mário Frias, o deputado e “produtor-executivo”, repete a produtora, solta uma nota nesse sentido, mas depois nega o que ele mesmo disse. Nem os integrantes da gang sabem o que falar diante de tamanha picaretagem.
Na manhã desta sexta-feira 15 de maio, o ainda candidato disse que se aconselhou com o pai – aquele estadista que tentou um golpe para ficar no poder pela força bruta. O condenado disse ao filhote que ele siga “falando a verdade”. Muito bom! A capacidade de produzir piada involuntariamente é uma das marcas do gangsterismo bruto.
Por enquanto, é isto. Flávio tenta se arrastar pelo esgoto como se ainda tivesse moral para pleitear a Presidência do país. Arruaceiros no PL e de outras facções buscam o jogo do tumulto, sobretudo com uma CPI. E CPI, como este blogueiro já escreveu, nesta altura, é coisa de idiota ou delinquente. A ideia é fazer carnaval e não apurar nada.
Aguardemos as cenas dos próximos podres capítulos nessa história que, reitero, desmoraliza o candidato de modo irreversível. Não há salvação para o Zero Um.
