Flávio Bolsonaro inventa, às pressas e no improviso, uma viagem aos Estados Unidos. A tentativa era olhar para o outro lado enquanto o escândalo do banco Master bafeja em seu cangote. O saldo da miniturnê americana, até agora, foi uma foto – perfeita para meme – e declarações lidas no celular diante da imprensa. Nada de perguntas que incomodassem o rapaz. Os jornalistas tentaram, mas ele correu.
Enquanto isso, do lado de cá, Romeu Zema e Ronaldo Caiado passam a admitir uma aliança entre os dois ainda no primeiro turno. Um pode ser o vice do outro. Ao que parece, está mais para o ex-governador de Minas na eventual cabeça de chapa. Seria a união entre os extremos, um campeonato para ver quem é mais tosco e mais reacionário.
No Congresso Nacional, as vozes mais alucinadas querem atacar a proposta de fim da escala 6x1. A ultradireita, dos mais destacados a mequetrefes como Fábio Costa, defende jornada infinita de trabalho. Cidadão de bem é assim, trabalhador, pai de família, cristão e devoto do armamentismo. Mamando no Estado, os outros que se lasquem.
É a mesma lógica dos que atacam o Bolsa Família. Como fazem Luciano Huck e, de novo ele, Romeu Zema. Para essa turma, que tem outro alagoano na tropa de elite – claro, Alfredo Gaspar –, o brasileiro é preguiçoso. “Tá sobrando oferta de emprego e não tem mão de obra”, espalha por aí essa gentalha que pretende “salvar o Brasil”.
João Caldas, pai do ex-prefeito tiktoker e presidente do DC, conseguiu expulsar Aldo Rebelo do partido. O ex-comunista é outro alagoano no centro da atual conjuntura política. Um centro meio periferia, mas, vá lá. O Democracia Cristã aposta agora em Joaquim Barbosa, ex-togado do STF, como alternativa na corrida presidencial.
No Rio de Janeiro, pátria da Mangueira e do Cristo de braços abertos sobre a Guanabara, a Polícia Federal visita o ex-governador Cláudio Castro duas vezes, num intervalo de 11 dias. O homem seria candidato a senador como grande aliado de Flávio Master Bolsonaro. Agora, o Zero Um está se escondendo do velho parceiro de jornadas cariocas.
Os fatos e episódios listados acima estão conectados. São variáveis ligadas ao panorama eleitoral. Em cada um desses eventos, a extrema direita atira para todos os lados, mas tem errado na mosca em todas as ocasiões. Da costura de alianças a investigações policiais, investidas do bolsonarismo resultam em nada e escândalos.
De novo: Lula, que estava morto – nas palavras de Flávio, Rogério Marinho e outros meliantes –, segue favorito na guerra pela reeleição. É assim na fotografia da hora.
