“A Rioprevidência é um dos destaques entre os 18 institutos municipais e estaduais que investiram em letras do Master, além da Amprev (estado do Amapá) e do Iprev de Maceió, segundo dados do Ministério de Previdência Social”. É um trecho de reportagem da Folha sobre a operação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro. Nesta terça-feira, ele foi alvo de mandados de busca e apreensão.
A operação foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça. Há uma percepção generalizada de que o magistrado não vai amaciar nesse caso. Por isso, a expectativa é de novas investidas da PF em municípios que também jogaram dinheiro de aposentados em papéis podres do liquidado banco Master. É o caso da prefeitura de Maceió.
Como se sabe, a gestão municipal “investiu” mais de 100 milhões de reais na instituição de Daniel Vorcaro, hoje preso e apontado como o chefe do maior escândalo financeiro na história do país. Quem diz isso são as próprias autoridades envolvidas nas investigações. Após a descoberta da bagaceira, políticos de todos os lados temem as consequências.
Como já escrevi aqui, a prefeitura de Maceió deu poucas – ou quase nenhuma – explicações sobre esse negócio pra lá de suspeito. O discurso único é de que os responsáveis locais pela iniciativa foram enganados pelo banco. Inocentes, acreditaram que estavam fazendo um grande serviço para o futuro de aposentados e pensionistas.
O problema é que, na prática, a teoria e outra. Assim como os citados casos do Amapá e do Rio, Maceió jogou dinheiro num saco sem fundo. Assim que o escândalo explodiu, no ano passado, o então prefeito João Henrique Caldas afastou toda a diretoria do Iprev. E nada mais se soube, e nada mais foi dito sobre a roubalheira descomunal.
Além do aspecto policial, existem os efeitos políticos das operações da PF. Os agentes já bateram às portas dos envolvidos no Amapá e no Rio. Nos dois casos, houve prisões e quebras de sigilos fiscal, bancário e telemático. Dos três “destaques”, como ressalta a Folha, falta apenas a visita da PF a personagens e endereços na capital alagoana.
Fica difícil para o ex-prefeito JHC. É que o homem está em plena pré-campanha eleitoral, correndo pelo estado em busca de apoios e alianças. Quer ser governador. Periga ter de dar explicações à PF sobre o Iprev. O barulho político é uma ameaça aos planos do jovem tiktoker. JHC mobiliza uma tropa de elite para conter danos e evitar o pior.
