A vassalagem de Bolsonaro diante de Trump é conhecida desde a eleição de 2018. A extrema direita representada pelo ex-presidente tem entre suas marcas esse “alinhamento” com os republicanos de lá. Não se sabe bem o que os eleitores que aderiram ao bolsonarismo esperam da “aliança” entre os patriotas dos dois países. Aliás, não se sabe bem o que os seguidores do “mito” entendem por relações diplomáticas.

Ao contrário dos Estados Unidos, o que acontece no mundo lá fora nunca foi determinante para eleições presidenciais por aqui. Entre outras razões, o Brasil não vive metido em conflitos e guerras no estrangeiro – como acontece historicamente com a pátria de Kennedy, Reagan e Trump. Duas realidades sem comparação nesses termos.

A economia sempre foi o fator crucial na decisão do voto. Nem a partir da chamada globalização, na década de 1990, as coisas mudaram. O termo nasceu, ocupou todos os espaços de debate e virou fumaça. E continuamos a priorizar, de forma absoluta, nossas demandas caseiras na hora de escolher o nome para presidente. Uma regra imexível.

Nada parecido com os dias de hoje jamais ocorreu no Brasil. Passeata na avenida Paulista com bandeirão dos Estados Unidos? Políticos com bonés em homenagem a presidente norte-americano? Deu a louca na população brasileira! O que diabos queremos com esse adesismo a causas estrangeiras? A cabeça do eleitor é outra.

Desde a eleição de Trump em 2024, a doideira escalou degraus rumo ao precipício – e não paramos de correr ainda mais ao fundo do buraco da insanidade. Um candidato a presidente e seus capangas intelectuais partiram nos últimos dias para mais uma investida na defesa americana. Flávio Bolsonaro está com tudo e mais um pouco.

O mais novo capítulo na trama novelesca – típica de Dias Gomes e Odorico Paraguaçu – acaba de ser escrito e publicado. O mandatário da “terra da liberdade” anuncia sanções e tarifas sobre um vasto painel de produtos brasileiros. De todas as ações, sem dúvida a mais chamativa é o ataque ao Pix. O império quer fulminar nosso patrimônio.

A ofensiva ocorre poucos dias após a visita daquele trio de vassalos, sendo um deles, reitero, nada menos que candidato a presidente da República do Brasil. Flávio já se apressou para tentar conter o estrago – mais um tiro de bazuca nas próprias patas.

“Do lado do povo brasileiro”, como diz o slogan da publicidade oficial, Lula não perdeu tempo. Chamou o adversário de “imbecil” e “vendilhão da pátria”, entre outros níveis de classificação. Vamos ver como tudo isso será mesmo algo decisivo na hora do voto.