Algum gênio do marketing soprou no ouvido de João Henrique Caldas: bora repetir o discurso bolsonarista sobre segurança pública. É o que parece, diante da nova postura do ex-prefeito de Maceió e candidato a governador. E JHC cumpre à risca a orientação de sua turma na campanha que já está nas ruas – e, claro, nas redes sociais. Num intervalo de algumas horas, o filho de João Caldas chafurdou na mesma estratégia eleitoral.
Até um dia desses, o jovem tiktoker não parava de falar em “Gigantinhos”, ciclofaixas, pavimentação, creches e Renasce Salgadinho. Eram suas credenciais para mostrar que foi um “gestor competente” na prefeitura da capital. Mas, nota-se agora, isso não teria sido o suficiente para turbinar as intenções de voto no aspirante ao governo.
Aí temos o mais do mesmo, a verborragia reincidente que embala os “projetos” de figuras como Alfredo Gaspar, Fábio Costa e outras tranqueiras da política alagoana. Repetem seus ídolos nacionais, como a família Bolsonaro – ainda que este seja o clã favorito das milícias. Falta pouco para JHC repetir o bordão sobre “bandido bom”.
Que lástima! Novinhos repetem os velhotes com os mesmos clichês que estão na praça desde sempre. “Comigo, bandido não se cria”. “Lugar de marginal é na cadeia”. “A população não aguenta mais tanta violência”. “Pulso firme contra a criminalidade”. É a lama, o esgoto do pensamento político. A “nova política” não falha, digamos assim.
Ao assumir o palavrório truculento da extrema direita, JHC talvez imagine que está sendo original. Jesus! Será que o rapaz é tão desinformado assim? Toda essa discurseira, reitero, é mais antiga do que o voto de cabresto. Mas a política – a velha e a nova – aposta no modelo do eleitor abestado, afoito por fantasias milenares.
Na onda do bolsonarismo, que finge combater o crime organizado, o ex-prefeito passou a tagarelar sobre PCC e Comando Vermelho, as facções que atuam Brasil afora. Sem apresentar números, tenta colar no atual governo a acusação de insegurança generalizada e violência recorde. Dados oficiais desmentem JHC cabalmente.
O governador Paulo Dantas, é claro, rebate a “estatística” do adversário. É sua obrigação. Mas não estou aqui tratando sobre a disputa entre governo e oposição. De todo modo, é obrigatório ressaltar a realidade: filiado ao PSDB, JHC está no grupo, aí sim, que elevou Alagoas às manchetes mundiais como lugar mais violento do país. Preto no branco.
O ex-prefeito deixou o PL de Bolsonaro, mas adere agora à principal bandeira de seu antigo berço partidário. Vamos às urnas para eleger governador e presidente, não um delegado de polícia. Mas parece que JHC entrou numa eleição para “xerife” de cadeia.
