Um casal “acima de qualquer suspeita” comanda a Marcha para Jesus, talvez o maior evento evangélico do Brasil. O “apóstolo” Estevam Hernandes e a “bispa” Sônia Hernandes chefiam um império bilionário, com filiais mundo afora. Assim como tantos seguidores de Nosso Senhor, a dupla tem sua própria igreja. Nem todos, porém, alcançaram o sucesso como esses dois “escolhidos”. O milagre é para poucos.

Concorrentes à altura do apóstolo e da bispa, no Brasil, talvez sejam Edir Macedo e Silas Malafaia. Estão à frente de verdadeiras usinas de produzir dinheiro em larga escala. Para seus próprios bolsos, naturalmente. É uma assombração que milhões de pessoas vejam nessas figuras sinais de verdadeira devoção a causas espirituais e divinas.

Os donos das maiores igrejas evangélicas têm ficha corrida na polícia. O casal citado já foi preso até nos Estados Unidos. Macedo também passou uma temporada atrás das grades. O “bispo” da Universal aparece até em vídeo fazendo dancinha nadando em dólares e fazendo piadas com os incautos fiéis. Escapou de tudo isso e segue na boa.

Além de meterem a mão no dinheiro dos pobres, as empresas desses empreendedores da fé estão isentas do pagamento de impostos. O Congresso Nacional, aliás, acaba de renovar esse benefício espúrio para os “pastores” brasileiros. O parlamento foi tomado de assalto pela Bancada da Bíblia, detentora de um poder do Capeta.

O fator religioso e a política se misturam no Brasil de hoje como jamais se viu na história deste país. Até para o STF, o critério determinante é o de ser um candidato diabolicamente evangélico. André Mendonça chegou lá por esse caminho das pedras sagradas. Enfrentar esse “exército cristão” é assinar a própria sentença de morte.

No escândalo do banco Master, um dos presos é Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e “pastor” da igreja Lagoinha. O chefão da Lagoinha é o notório André Valadão, mais um ricaço às custas da pilantragem em nome da fé. O rapaz também vive metido até a lama nas armações do bolsonarismo. A vigarice é regra geral nas “orações”.

Dias atrás, na mais recente Marcha para Jesus, em São Paulo, lá estavam o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes. E, claro, Flávio Bolsonaro foi a estrela do palanque eleitoreiro que deveria ser palco de orações. O candidato a presidente – amigo de milicianos – vociferou que o Brasil vive uma “guerra espiritual”. Podreira e blasfêmia.

Pela vontade dos mais celerados, como Damares Alves e Sóstenes Cavalcante (o “pastor” da mala de 450 mil reais), a República seria trocada por uma teocracia. A exploração da fé trinfou entre nós. A delinquência política avança de patamar pela via da malandragem religiosa. Debaixo do céu, isso não deu certo em nenhum lugar do planeta.