Sinal de alerta sobre o Tribunal Superior Eleitoral. Mais precisamente, todas as atenções para o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques. Nesta segunda-feira 8 de junho, o indicado de Jair Bolsonaro para o posto de ministro do STF tomou uma decisão no mínimo controversa. Ele mandou tirar do ar a última pesquisa Atlas Intel sobre a corrida para presidente da República, divulgada no dia 19 de maio passado.

O magistrado atende assim à demanda do candidato Flávio Bolsonaro, que não gostou do resultado do levantamento. Segundo os números, o favorito do mercado na disputa contra Lula viu o adversário abrir seis pontos de vantagem, num cenário de segundo turno, após a revelação do esquema com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

Como se sabe, o áudio divulgado mostra Flávio rastejando pelos milhões do “amigão” Vorcaro, dinheiro supostamente a ser investido no filme sobre Jair Messias. A repercussão foi um desastre na pré-campanha do filho Zero Um do falso mito. A Atlas Intel foi a primeira pesquisa a constatar os efeitos do caso – e paga o preço por isso.

Outros levantamentos também atestaram, na sequência, a queda de Flávio e a subida de Lula, candidato à reeleição. Datafolha, Quaest, Vox Brasil, Paraná e Idea apontaram números semelhantes. O efeito Master provocou avarias na embarcação do aspirante da extrema direita. Como a Atlas saiu na frente, Flávio agiu logo contra o instituto.

O candidato alega ter havido manipulação no questionário para influenciar a opinião dos eleitores ouvidos. Na verdade, a campanha de Flávio não gostou justamente da pergunta sobre o áudio entre o rapaz e Vorcaro. É uma alegação claramente frágil. Na verdade, o que se pretendia era a censura aos dados aferidos. Nunes concordou com a tese.

Com essa disposição para a simpatia às causas de Flávio, o presidente do TSE praticamente levanta suspeita sobre ele próprio. Ao menos até agora. Afinal, ele é o homem que vai comandar todo o processo eleitoral na acirrada guerra pelo Palácio do Planalto. A conduta geral de Sua Excelência seguirá essa pegada demonstrada agora?

Mais de uma vez, Bolsonaro, o pai, se referiu a Nunes Marques e a André Mendonça como a dupla sob seu comando no Supremo. “Temos dois nossos lá”, disse com aquela naturalidade de quem afirma “vou ali na farmácia tomar uma injeção de cloroquina”. Mendonça é o vice-presidente do TSE. Suspense sobre a atuação da dupla.

A decisão de Nunes será votada pelos demais ministros do TSE. Tenho pra mim que a liminar de hoje acaba mais atrapalhando Flávio, e não o contrário. O sujeito fica com a seguinte imagem: quer ganhar o jogo no tapetão, não aceita a realidade dos números e apela para a censura. Não parece haver um lado positivo para o candidato Tariflávio.