Vamos alternando. Como é Copa do Mundo, agora é sobre futebol. Se bem que, em várias ocasiões, os dois universos – o outro é o da política – se misturam, quase sempre de maneira mais descabida do que pertinente. Antes de falar dessa eventual relação, o debate da vez está estritamente no meio do gramado. Afinal, faz sentido a pausa para hidratação? Sim, jamais será por falta de “polêmica” que vamos morrer de tédio.

Devemos reconhecer: no torneio em andamento, a Fifa acertou ao instituir novas regras. Cinco segundos para cobrar o lateral. O jogador fora do jogo por um minuto toda vez que desaba alegando uma “dor insuportável”. Medidas simples, entre outras, que surtiram o efeito desejado – um freio nas simulações e mais tempo de bola rolando.

E o resultado principal: mais bola na rede, muitos gols na maioria das partidas. Para isso contribui também o padrão da arbitragem. Em todos os jogos que vi, os juízes não foram na onda de marcar como falta qualquer lance de contato natural nas disputas entre os jogadores. Aqui também a orientação da Fifa foi no caminho certo.

A novidade que causa barulho é a parada, por volta dos 22 minutos de jogo, em cada tempo dos confrontos entre as seleções. Treinadores, ex-jogadores e comentaristas consideram um erro. Virou uma partida de “quatro tempos”, dizem insatisfeitos. A temperatura varia de jogo para jogo, o que não justifica a medida, alegam outros.

De fato, ficou meio estranho. O momento do alívio para recuperar o fôlego acabou se tornando um “tempo técnico”. Os treinadores aproveitam para dar orientações ao time completo, o que antes era impossível. A interrupção também – sem trocadilho infame – baixa o clima, tira o embalo, irritando as torcidas, quebrando a empolgação.    

Não chega a ser um desastre, mas não se sabe o futuro dessa novidade. Enquanto isso, no Brasil, a política invadiu a área depois que o presidente Lula falou da convocação home office de Neymar Jr. Bolsonaristas não gostaram. Flávio Bolsonaro vestiu a amarelinha e saiu em defesa do craque imaginário. Tentativa de faturar um golzinho.

Walter Casagrande entregou ao prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, camisas do Corinthians e uma placa de honra do clube paulista (foto). Num vídeo em rede social, o prefeito “esquerdista” havia elogiado o jogador Sócrates e a Democracia Corinthiana. O movimento, na década de 1980, foi algo jamais visto no futebol brasileiro.

Na época, Sócrates, Casagrande, Wladimir e outros jogadores se posicionaram publicamente em favor da volta das eleições diretas, em afronta à ditadura ainda vigente. Como tudo na política, aquele episódio rende discussões até hoje. A torcida organizada de Bolsonaro e da extrema direita tem ódio mortal a toda essa “narrativa da esquerda”.

Mas vamos ao campo, porque a bola não para e a Seleção é um perigo iminente.