Duas situações na política alagoana testam a paciência do distinto público há pelo menos um ano. A primeira é o “suspense” sobre a candidatura de João Henrique Caldas ao governo de Alagoas. A segunda marmota é o chororô de Davi Davino Filho, que vive a reclamar de “forças ocultas” contra sua candidatura ao Senado. Há outras presepadas, é claro, mas essa dupla é a mais recorrente no quesito pauta requentada.

No caso do ex-prefeito de Maceió, a demora na confirmação oficial do candidato deve-se aos dilemas e dificuldades em fechar alianças. Como se sabe, JHC pula de galho em galho desde que ascendeu no jogo político estadual. Entre idas e vindas, já foi amigo de infância do deputado Arthur Lira e do vice-governador Ronaldo Lessa. Hoje, no entanto, não se sabe o que essas duas lideranças ainda têm de parceria com o gestor tiktoker. 

Eu sei, são dois casos bem diferentes. Lessa largou o grupo do governo para declarar apoio a JHC. A imprensa alagoana em peso bancou que o ex-governador será vice de João Henrique na chapa ao Palácio dos Palmares. Mas isso nem é mais garantido diante dos dramas enfrentados pelo ex-prefeito. Já é outro “mistério” a ser desvendado.

Chatice mesmo é a lacrimosa postura de Davino Filho. O rapaz é candidato de si mesmo a senador. Sem aparente apoio de seu próprio partido, o Republicanos, ele vive à procura de inimigos imaginários entre seus potenciais adversários. Nessa ladainha, sobra para o senador Renan Calheiros, o alvo oculto e explícito do jovem Davino.

Por falar em juventude, como o aspirante ao Senado é uma voz da renovação, ele anunciou apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro. Entendi. Chega dessa velharia alagoana, dos clãs que se eternizam nos mandatos. Davino quer o novo. Nada mais natural do que se aliar à família miliciana que é pura vanguarda na vida pública brasileira.

Voltando à choradeira do jovem renovador, ele jamais contou com a empolgação de sua legenda. O presidente nacional, deputado Marcos Pereira, faz de conta que apoia a aventura de seu filiado. Ao que tudo indica, o jogo de cena é estratégia para vender caro apoio a outras forças mais adiante. Não faz sentido a demora para definir a parada.

No âmbito estadual, o Republicanos acaba de declarar apoio a Renan Filho como candidato a governador. Ou seja, está no lado oposto a Davino Filho – que vai de JHC. Pela lógica, a sigla deve ir com os nomes ao Senado desse mesmo grupo, que tem Renan Calheiros como prioridade absoluta na busca pela reeleição. É o que está desenhado. 

Quando você precisa choramingar todo santo dia que é isso, aquilo ou aquilo outro, é sinal de que você não é nenhuma das três alternativas. Eis Davino Filho. E, se existem sabotadores de sua candidatura, eles estão dentro de sua casa, não do lado de fora. Mas o renovador bolsonarista vai continuar com o chororô, a estratégia que lhe resta.