Nova aposta da ultradireita em Alagoas, Henrique Costa, médico e ex-reitor da Uncisal, segue passeando pelos meios de comunicação expondo suas ideias para salvar o Brasil. Já escrevi sobre este senhor. Ele é apadrinhado do deputado federal Alfredo Gaspar. Filiado ao PL, o cidadão de bem segue à risca a cartilha do obscurantismo disfarçado de novidade. Zapeando pelos canais televisivos, vejo o doutor em entrevista à TV Alagoas.
Sim, a TV Alagoas acabou, virou TV Ponta Verde, mas está de volta. No controle, está a mesma família Sampaio da antiga emissora. Toda vez que esbarro na programação, está no ar um mesmo programa, um podcast comandado por GG Sampaio. Políticos em busca de microfones batem ponto em entrevistas intermináveis.
Foi neste palco que o “poca urna” da Uncisal, como o classifiquei no texto anterior, proclamou mais algumas asneiras com o verniz de pensamentos profundos. Ele faz o tipo bolsonarista moderado – o que é, claro, uma contradição indissolúvel nos termos. Com fala mansa e gestual de coach, ele vomita banalidades e distorções sobre o país.
Contrariando todos os indicadores, repete a ladainha dos fanáticos sobre um cenário de fim do mundo. Estamos vivendo no abismo, no meio do caos, em pleno apocalipse. Precisamos de salvadores da pátria – como ele próprio, Gaspar e os Bolsonaro. Ele tem a receita mágica para mudar os rumos em saúde, educação e segurança.
Mas o que mais me chamou atenção na entrevista de Henrique Costa foram as palavras sobre o que ele chamou de “agenda woke”. É a batida crítica às políticas de diversidade e de combate ao racismo, à homofobia e à misoginia, por exemplo. E aí veio o clássico ataque a mulheres trans, uma peça do mais tacanho preconceito.
“Daqui a pouco não vai ter mais a mulher. Mulher trans, tá ok? Mas a mulher biológica não pode?”. Com carinha de bom moço, nesses casos os truculentos costumam exibir, meio sem querer, suas próprias fixações mal resolvidas. Sobre o ódio e o extermínio de pessoas trans, esta sumidade ambulante da “nova política” nada tem a dizer.
Agora vejam que ironia: um extremista, fanático seguidor de Bolsonaro, “preocupado” com as mulheres! Só para lembrar, Jair Messias deu uma “fraquejada” porque virou pai de uma menina. E disse que não estuprava uma deputada porque ela “não merecia”.
Sem surpresa. Mas não deixa de causar asco essas alternativas de “renovação” paridas pelo PL, pela extrema direita, pelo deputado Gaspar. Henrique Costa é mais um “moço” legitimo representante do que há de mais velho, tosco e atrasado na política brasileira.
