Na imagem acima, o repórter Tiago Medeiros, o mais novo palhaço do nosso jornalismo, está fantasiado de “mexicano”, tomando um gole de tequila. O rapaz é uma das apostas da Globo na cobertura da Copa do Mundo. Ele percorre as sedes dos jogos apresentando o quadro Churrascopa. A ideia é juntar torcedores numa roda de degustação de churrasco versus comidas típicas de outros países. Uma disputa “engraçada”.
Sim, eu escrevi que isso é uma “aposta” da maior emissora do Brasil na briga por audiência em dias de bola rolando. O jornalista aparece caracterizado com elementos que fazem referência ao país cuja seleção está para entrar em campo. Além de provar as comidinhas de rua dos gringos, tem aquela competição com os estrangeiros.
O que é melhor? Nosso churrasco, a pizza ou o sushi? E vai nessa bola dividida ao longo do quadro. Tudo com muito pinote, gritaria e gargalhadas quase sempre forçadas, o que deixa o circo ainda mais constrangedor. Do estúdio, narradores e comentaristas se manifestam sobre a guerra entre os pratos. Nosso churrasco é campeão, claro.
Suponho que muita gente goste da presepada. Sem querer ofender ninguém, sempre me parece uma apelação barata para cérebros problemáticos. Como já escrevi aqui sobre a Copa, em boa parte os veículos trocam a informação pelo oba-oba. Não é de hoje, sim, e afeta coberturas de outra natureza, especialmente nas datas festivas.
Mas no futebol o sarrafo circense fica nas alturas jamais alcançadas por outros temas. É uma praga disseminada por todos os meios de comunicação. Com a chegada da Cazé TV e seus influenciadores, aí a bagaceira quebrou todos os limites. Para encarar a nova concorrência, a Globo dá uma contribuição inestimável para o vexame.
Não sei, é tudo tão velho, tão sem novidade que chega a bater certa melancolia. Lembra os desfiles de escolas de samba desde o começo dos tempos. “Mostra aí o samba no pé, o molejo da nossa mulata. Que maravilha...!”. O Churrascopa é precisamente assim: confunde bom humor e irreverência com papagaiada sem conteúdo. Farra de clichês.
Tiago Medeiros caiu nas graças dos chefes da empresa por seu desempenho como apresentador do Globo Esporte em Pernambuco. Ganhou espaço nacional. Ficou conhecido pelo bordão “minha joia” ao se referir a colegas durante as transmissões dos jogos. Outra tolice sem nenhuma importância. É o típico bobo da corte.
O jornalismo esportivo é uma usina de novos comediantes. A impressão é de que a maioria dos profissionais não vê a hora de migrar para o entretenimento. Rende mais fama e mais dinheiro. Quanto aos veículos, rastejam pelos atalhos da audiência mais fácil e imediata. Jornalisticamente, a cobertura da Copa é um estelionato ao vivo.
