Torcer pelo mais fraco é uma tendência universal. Por isso, quando a Cazé TV despontou como ameaça ao domínio da Globo nas transmissões esportivas, foi uma festa no meio da torcida. A revolução se deu pela via do YouTube, palco subestimado pelos executivos da emissora de televisão da família Marinho. Quando a turma global se deu conta, já era tarde. Para tentar virar o placar, inaugurou o GE TV no mesmo YouTube.
A figura de Casimiro Miguel – mistura de jornalista, influenciador digital e humorista – cativou a galera instantaneamente. O jovem fundou a Cazé TV em 2022, em parceria com a Live Mode, e se tornou a cara do novo veículo. Com o jeitão calculadamente descolado, passou a ser visto como um valente Davi que enfrenta a arrogância de um Golias.
É como se estivéssemos diante de um duelo entre forças profundamente desiguais. De um lado, o monopólio e o jogo bruto da velha Globo. Do outro, a fragilidade de quem recorre unicamente à criatividade para ganhar a guerra. Enquanto poderosos têm armas com potencial de larga destruição, Casimiro é puro talento e bom humor.
Tudo muito romântico no reino da fantasia. No mundo real, essa visão sobre a Cazé TV não passa de um delírio turbinado pela desinformação, embalada naquela simpatia incondicional pelo lado aparentemente mais frágil. Casimiro e seus sócios na Live Mode (foto) estão à frente de um império, hoje com alcance internacional.
Além de gigantes do mercado como a XP e fundos de investimento pelo mundo, até personalidades como Cristiano Ronaldo estão na sociedade bilionária. Não há nada de improviso e nem armas de baixo calibre nas mãos da turma do bonachão Cazé. São homens de negócio que movimentam cifras na estratosfera de todos os mercados.
Por tudo isso, chega a ser comovente a onda de colunistas, jornalistas e gente das artes “decepcionada” com o mercadão das bets tocado pelo simpático Casimiro. Nossa, que surpresa, escrevem integrantes do fã-clube do gordinho que “encarou” a Rede Globo. É o seguinte: aqui, Globo, SBT e Cazé TV são rigorosamente iguaizinhas.
Que o “escândalo” – e a decepção – com o jovem rebelde tenham se dado justamente com as bets é revelador de toda essa engrenagem. A publicidade repugnante da jogatina foi feita de modo cínico e avacalhado. Nem a “maldita” Globo ousou bater no patamar de Casimiro e seu time. Reverentes à Cazé tomaram um choque de realidade.
O que dizer aos milhões de seguidores? Do alto de seu idealismo, jogando “contra os poderosos”, Casimiro Miguel, o Cazé, poderia afagar seu fã-clube com as palavras de Tom Hagen e Michael Corleone: “Não é nada pessoal. São apenas negócios”.
