Quase 27 anos após um dos crimes que mais repercutiram em Alagoas no fim da década de 1990, a Justiça condenou o ex-cabo da Polícia Militar Gilmar Galvão da Silva a 21 anos de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato do sargento Osmário Dias Lima Júnior. A sentença foi proferida pelo juiz Geraldo Amorim nesta sexta-feira (12), após julgamento realizado no Fórum do Barro Duro, em Maceió.
O crime aconteceu em 17 de dezembro de 1999. Conforme os autos do processo, o sargento foi sequestrado em frente à residência da família, no Conjunto José Tenório, no bairro Serraria, diante da esposa e da filha, que tinha apenas quatro anos de idade. Segundo a acusação, homens armados obrigaram a vítima a entrar em um veículo e, desde então, ela não foi mais vista com vida.
Dias depois, o corpo de Osmário foi localizado em um canavial no município de Pilar. A investigação apontou que o sargento foi morto com um disparo de espingarda calibre 12, sem possibilidade de defesa.
O julgamento foi marcado por forte carga emocional, especialmente pela participação da advogada Cinara Dias, filha da vítima, que atuou como assistente de acusação no processo. Ao se pronunciar durante a sessão, ela relembrou os impactos da ausência do pai ao longo da vida e emocionou os presentes ao narrar memórias da infância marcada pelo medo e pela espera por respostas.
Durante os debates, a promotora de Justiça Adilza de Freitas ressaltou o papel do Tribunal do Júri na resposta esperada pela família e pela sociedade diante de um caso que permaneceu sem desfecho por décadas. A acusação também destacou o reconhecimento feito pela viúva da vítima ao longo da investigação e mencionou o histórico funcional e processual do réu.
Após a votação dos jurados, o Conselho de Sentença decidiu pela condenação de Gilmar Galvão da Silva. Na sentença, o magistrado determinou que o ex-policial cumpra a pena em unidade prisional comum de segurança máxima, destacando que, por ter sido excluído da corporação, não terá direito ao cumprimento da pena em estabelecimento militar.
A decisão encerra um processo que atravessou décadas e que foi acompanhado de perto pela família do sargento, em busca de responsabilização pelo crime.
*Foto: MP/AL
