Depois de produzir uma aberração política e jurídica, o senador Alessandro Vieira agora posa de vítima. Com aquela demagogia dos valentes de ocasião, diz que não se curvará a “ameaças”. Esta semana, como se sabe, o lavajatista irrecuperável apresentou seu relatório final na CPI do Crime Organizado. Numa tosca estratégia para faturar dividendos eleitorais, o sujeito resolveu criar seu próprio Código Penal. É marmota inaceitável.

Numa Comissão Parlamentar de Inquérito sobre facções criminosas e suas conexões com o mercado financeiro, Vieira foi abduzido pelo que ele certamente considerou uma jogada de mestre: em seu relatório, ele recomenda o indiciamento de três ministros do STF e do chefe do Ministério Público Federal. “Ridículo” é pouco para definir o caso.

Com o ostensivo apoio da velha imprensa, setores da oposição e da ultradireita querem impor a versão de que o Supremo é a origem de todos os males que afligem o Brasil. Do Metrópoles à Globonews, da Folha ao Estadão, há um movimento que dá todas as pistas de haver um acordo tácito entre os gigantes do jornalismo brazuca. Uma velha tática.

Para dar nome e identidade a esta ficção, o senador mirou em Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Sua inútil e ilegal papelada também “indicia” Paulo Gonet, o procurador-geral da República. E do que essas autoridades são acusadas pelo delegado da Polícia Civil sergipana? Eles teriam cometido crime de responsabilidade.

Na largada, já está tudo errado. Quando caracterizado como tal, crime de responsabilidade tem como consequência mais forte o impeachment de autoridades – como se dá, em caso extremo, com presidente da República. Vale o mesmo para ministros do STF. Ocorre que não cabe a nenhuma CPI julgar esse tipo de situação.

A avaliação e um eventual julgamento de crime de responsabilidade são prerrogativas do Senado – depois de parecer da própria PGR. Alessandro Vieira sabe que é assim, mas, decidido a cavalgar na condição de paladino da moralidade universal, achou de boa achincalhar a lei. Como previsível, tem o aplauso dos hipócritas e dos ignorantes.

Depois da folia pós-carnaval do senador “linha dura”, o cenário segue ainda mais conturbado. Aqueles veículos da grande imprensa insistem nos editoriais que distorcem os fatos e nas reportagens enviesadas. Como se deu na Lava Jato – aquela Gangue de Curitiba –, que se danem as leis e o processo legal. O que importa é o projeto político.