O parlamento brasileiro produz mais uma peça de demagogia política por meio de uma CPI. Depois do circo com desfecho grotesco da CPI do INSS, chegou a vez de espetáculo semelhante na comissão criada para investigar a atuação das facções do crime organizado no país. Contra a lei, senadores deram um jeito de desviar a atuação para o caso do banco Master. Nesta terça-feira 14 de abril, sai o relatório final dos trabalhos.

O relator é o senador Alessandro Vieira, filiado ao MDB de Sergipe. É delegado da Polícia Civil. Em suas conclusões, Vieira joga para a arquibancada ao recomendar o indiciamento dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Para esse xerife justiceiro, os três magistrados cometeram crimes no rolo do Master.

O relator também pede o indiciamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O senador afirma que o chefe do Ministério Público Federal foi omisso por não abrir investigação contra os juízes do STF. Reparem que a decisão é “cirúrgica” ao atacar as instituições essenciais à vida democrática. Mina o coração da República.

Vieira é candidato a renovar o mandato de senador. Está em ritmo de campanha enquanto finge atuar com isenção no topo de uma CPI. Lavajatista fanático, endossou todos os métodos criminosos adotados pela gangue de Curitiba, chefiada por Sergio Moro. O senador representa a extrema direita gomalinada, a moderação em pessoa!

É inevitável a comparação com o deputado federal Alfredo Gaspar, esse soldado fiel do bolsonarismo. O relator da CPI do INSS teve seu relatório rejeitado em votação após apresentar um panfleto politiqueiro. A distorção evidente das finalidades de uma Comissão Parlamentar de Inquérito virou rotina no Legislativo. Ocorre agora outra vez.

Com outras palavras, indo para os finalmentes, faz-se uma aposta cega no confronto ao Supremo. As revelações acerca do caso Master criaram o cenário perfeito à ofensiva que se dá para enfraquecer o tribunal. É uma festa para a ultradireita, ainda mais agora com o aval da velha imprensa. Os editoriais não param de atirar na corte máxima da Justiça.

Independentemente dos resultados no âmbito do processo legal, há uma guerra, salvo engano, como nunca houve no Brasil. O sistema empareda um dos pilares do sistema por meio de carcomidos agentes do sistema colorizados de antissistema!

Um último aspecto. Alfredo Gaspar e Alessandro Vieira foram tão fundo na pororoca eleitoreira que acabam por exibir suas próprias fraquezas. O casuísmo com assunto sério fica exposto até os ossos. No mais, a crise pegou uma curva sem retorno.