Criado em 2015, o portal Metrópoles é, na aparência, um caso fulminante de sucesso no jornalismo brasileiro. O que veículos da grande imprensa levaram décadas para conseguir, o site de Brasília conquistou em pouco tempo. Logo nos primeiros dois anos de existência, leitores garantiram uma audiência que, até hoje, não para de crescer. A ficha corrida e a trajetória conturbada do fundador não foram problemas na aventura.

O homem por trás do Metrópoles é Luiz Estevão, um notório personagem da política brasileira. Foi deputado em Brasília na década de 90 do século passado e se elegeu senador na eleição de 1998. Ficou pouco mais de um ano no cargo, até ser destituído em 2000. É o primeiro senador da República cassado após ser acusado de corrupção.

O ex-senador ficou preso por quatro anos, entre 2016 e 2020. Em dezembro de 2022 recebeu o indulto de Jair Bolsonaro e ganhou a liberdade em definitivo. Aos 77 anos, consta que o portal que criou é uma obsessão na rotina do empresário. Funcionários relatam que ele é o primeiro a chegar e o último a sair do Metrópoles.

A sede é em Brasília, mas o negócio se expandiu com sucursais no Rio, em São Paulo e Goiás. Alguns medalhões da velha imprensa foram contratados como colunistas. É o caso de Ricardo Noblat e Mario Sabino. Em março deste ano, veio a inesperada aquisição do jornalista Reinaldo Azevedo – que trocou o UOL pelo site brasiliense.

Andreza Matais, Igor Gadelha e Lilian Tahan são outros nomes com carreiras sólidas em redações diferentes. Tahan é a diretora-geral do portal desde o começo. Com a audiência vieram reportagens de repercussão, reconhecimento no meio e prêmios.

Desde que o caso Master veio a público, o Metrópoles faz uma cobertura enviesada, deixando clara a tentativa de associar o escândalo ao governo Lula. Para isso, forçou a barra sem se importar com o perigo de minar a credibilidade que conquistou.

Agora o portal vive seu momento mais delicado. No ano passado, a empresa recebeu 27 milhões de reais do Master – mas ocultou essa informação de seus leitores. Apontou o dedo para todo mundo e escondeu sua parceria com Daniel Vorcaro.

A explicação de patrocínio para a Série D do Brasileirão de futebol não se sustenta. As datas dos repasses e dos jogos a ser transmitidos não batem. A grana começou a irrigar as contas de Estevão quando o Master já estava virtualmente quebrado. 

O Metrópoles é o primeiro grande veículo da imprensa a aparecer na lista do banqueiro que comprou meia República. Os negócios do Grupo Globo com o mesmo Master ainda estão protegidos pelo consórcio familiar que reúne também Folha e Estadão. Caso sério.

Assim como fez com autoridades e figurões do poder, Daniel Vorcaro corrompeu parte do jornalismo? É a suspeita cada vez mais forte – mas por enquanto longe das manchetes.