Depois de ver seu relatório rejeitado na grotesca CPI do INSS, o deputado federal Alfredo Gaspar tem seu nome arrastado no vendaval da farra das emendas parlamentares. O Tribunal de Contas da União abriu investigação sobre o destino de 6 milhões de reais enviados por Gaspar à prefeitura de São José da Laje. A verba milionária caiu – ou deveria ter caído – nos cofres municipais para obras de interesse público.

É um clássico. A tal “emenda pix” garante o envio de dinheiro de maneira fulminante. Sai diretamente do orçamento da União para a prefeitura. Como se sabe, há de tudo nessa esculhambação, menos transparência. O leitor sabe que defendo a extinção dessa marmota – criada para encher o bolso de picaretas da política Brasil afora.

Não estou dizendo que este seja o caso da pequena fortuna destinada por Gaspar a seus aliados daquele aprazível município. O problema é que a engrenagem desse negócio é podre desde a origem. O mecanismo nasceu torto, seguiu errado e assim vai continuar caso não haja uma drástica intervenção nessa engenharia da mutreta.

Sempre necessário lembrar: o Legislativo aprovou as mudanças na lei que viabilizaram a construção do “orçamento secreto”. É desvio de recursos públicos na cara dura. Emenda parlamentar, como também já escrevi aqui, é compra de voto – simples assim, como diriam pensadores contemporâneos. E o que dizem os pais das emendas?

Aí é que está. Todos eles juram que tudo é transparente, dentro das regras e da legislação. Mas, assim que uma denúncia explode, qual a explicação de um deputado sobre o destino do dinheiro. “Não tenho nada com isso. Perguntem ao prefeito”. Com o perdão pela deselegância, é o famoso tirar o seu da reta. É o que faz Alfredo Gaspar. 

“Os valores foram regularmente destinados ao município de São José da Laje, após a apresentação de um plano de trabalho, cabendo à prefeitura a responsabilidade pela execução e correta aplicação dos recursos”. É o que diz uma nota divulgada pelo xerife dublê de caçador de corruptos. A singela explicação não explica nada.

Como sabem até as águas do riacho que corta São José da Laje, esquema com emendas se dá em via de mão dupla. Eu aprovo o repasse, você recebe a bolada, reparte comigo, e com o trocado que sobrar, pinta-se o meio-fio de uma travessa qualquer. É assim que funciona. Às vezes, quando a Polícia Federal aparece, malas voam pela janela.

O TCU deu 12 dias, em prazo que está correndo, para que a prefeitura alagoana apresente documentos sobre a aplicação dos 6 milhões de reais que Sua Excelência enviou a parceiros eleitorais. Provavelmente não dará em nada. O pai da emenda já pulou fora – e jogou a bomba nas autoridades municipais. A política também é previsível.