A terceira via é a consequência imediata da polarização. A discussão sobre uma está inapelavelmente enredada à outra. No debate nacional que se dá na imprensa e nas redes sociais, a defesa por uma alternativa ao petismo e ao bolsonarismo é permanente. Na linguagem corrente, porém, seria mais uma “bolha”, dado que o eleitorado segue firme entre Lula e Bolsonaro – agora com Flávio no lugar de Jair. Por quê?

Não sabemos, embora o saudável exercício da especulação apresente uma coleção de fatores que podem ser determinantes para tudo o que está aí. Você, que está lendo agora, conhece os pontos de vista que transitam entre o jornalismo e a academia. Aliás, nunca esses dois ambientes estiveram tão juntos e mais ou menos misturados.

Mas isso é outro assunto. De volta ao ponto, a rotina polarizada e a suposta busca “longe dos extremos” nos levam ao centro, entre esquerda e direita. A régua para medir essa clássica esquematização obedece ao princípio da flexibilização. Mas é claro, que, na hora dos embates, a inclinação para um lado ou outro parece mais exposta.

Quase sempre, quando falam por aí de falta de opções na corrida presidencial, vem à memória a eleição de 1989. A primeira depois da redemocratização. Nada menos que 22 candidatos entraram na disputa, incluindo Ulysses Guimarães, Mário Covas, Paulo Maluf, Leonel Brizola, Fernando Gabeira e, olha só, Ronaldo Caiado. Uma fauna única.

E entre aquelas 22 vias à disposição do eleitorado, estavam também Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, olhando para trás, seria o caso de se falar em algo sintomático na final do campeonato, ou melhor, no segundo turno. O país escolheu os nomes mais representativos daquela outra polarização. O fenômeno se desdobra.

No atual cenário, entre os nomes associados a uma suposta terceira via estão Ciro Gomes, Eduardo Leite e Tarcísio de Freitas. Não por acaso presidenciáveis descartados da disputa por decisão de seus partidos. Cada um dos três a seu modo, segue com o proselitismo no embalo de o Brasil não aguenta mais tanto ódio e polarização.

Há ao menos dez candidatos na disputa deste ano. Como em 1989, Lula e Caiado estão na lista. O ex-governador de Goiás ao que parece não decola. Logo, essa improvável terceira via, até o momento, está fora do páreo. Eduardo Paes e João Campos estão chegando nessa toada. Mas nesse caso é, digamos assim, terceira via para 2030.