Como escrevi aqui mais de uma vez – a última foi na quinta-feira 2 de abril –, João Henrique Caldas renuncia à prefeitura de Maceió, mas mantém o suspense sobre as eleições. Agora filiado ao PSDB, o gestor não confirma se vai disputar o governo de Alagoas ou tentar uma cadeira no Senado. Na despedida do comando da cidade, JHC fantasiou: “o povo vai decidir” seu futuro político. O vice Rodrigo Cunha assume o posto.
A renúncia foi anunciada num verdadeiro comício para uma turma de simpatizantes. Cercado por velhos e novos parceiros, JHC deixou a modéstia de lado e fez uma comparação inusitada. Ele e Cunha formam uma dupla igual a Romário e Bebeto. Como se sabe, os dois atacantes estavam na seleção que conquistou a Copa de 1994.
Romário e Bebeto se deram bem no ataque da seleção, mas a relação entre os dois sempre foi conturbada. Na aparência, prefeito e vice, ao menos até agora, exibem uma tabelinha sem fissuras. Essa tranquilidade, no entanto, esteve por um fio sempre que JHC insinuou ficar no mandato até o fim. Mas, como cumpriu o acordo, ficaram de boa.
A negociação com o então senador em 2024 ocorreu bem longe da opinião das ruas. Não consta que JHC tenha esperado o aval do povaréu para amarrar compromissos com Rodrigo Cunha, Arthur Lira e outros poderosos da política alagoana. Agora, na reta final das negociações para 2026, a parceria com Lira virou troca de farpas.
Mas estamos no reino da política, não esqueçamos. O “povo” que será consultado por JHC sobre seu futuro é um conjunto de caciques que controlam as legendas partidárias no estado. Aí entram, além do ex-presidente da Câmara, senadores, deputados e prefeitos do interior. Serão consultadas também lideranças nacionais – do PT ao PL.
Enquanto não decide se é candidato a este ou aquele cargo, JHC também empurra para frente outra decisão: como candidato do PSDB, dará palanque em Alagoas para Lula ou para Flávio Bolsonaro? Com receio de magoar o bolsonarismo, não pode virar lulista de repente. O problema é o outro acordo, aquele que levou sua tia ao STJ.
Mesmo com aprovação nas alturas no eleitorado de Maceió, segundo as pesquisas, João Henrique continua passando uma imagem de angústia. O suspense sobre uma candidatura não é uma livre escolha – é um sinal de impasse e de insegurança sobre o que fazer. JHC, o Romário de Jaraguá, está com medo de bater o pênalti na trave.
