Devido ao silêncio de cemitério que mantém há mais de ano sobre o assunto, especulava-se até um dia desses que João Henrique Caldas poderia ficar na prefeitura de Maceió até o fim do mandato. Ou seja, não seria candidato a nada, nem a governador e nem a senador. Mas essa hipótese nunca foi uma alternativa para o gestor de Jaraguá. Todos os fatores em jogo sempre empurraram JHC para disputar as eleições deste ano.
O fator decisivo são os acordos costurados desde 2024. O mais extravagante foi com Rodrigo Cunha, que largou o Senado para ser vice de JHC. A surpreendente opção, na verdade, mira 2028, quando Cunha espera conquistar a cadeira de titular. Para isso, é crucial já estar no exercício do mandato, com a máquina a seu favor.
Há também os arranjos com o deputado Arthur Lira, as conversas com Alfredo Gaspar e até os sinais de fumaça com o senador Renan Calheiros e o governador Paulo Dantas. Desistir da disputa pelas urnas agora causaria estragos a perder de vista, em várias frentes e ao mesmo tempo. Está claro que não é esta a decisão do prefeito.
Tudo isso tem um peso relevante, não há dúvida, mas não é a razão principal a mover o filho de João Caldas. O gatilho para a escolha a ser feita é sua própria trajetória – afinal, o ímpeto natural é avançar. Ficar na prefeitura para quê? Assim, não há mistério quanto a este ponto, como já escrevi em texto anterior. O prefeito sempre foi candidato.
O que já era o mais provável de acontecer ficou ainda mais certo nos últimos dias. O prefeito se filia ao PSDB, com o entusiasmo da cúpula nacional do partido, representada por seu presidente, o deputado federal Aécio Neves. Não faria sentido nenhum tanto barulho por nada. Ou seja, a filiação é a senha de que a candidatura vem aí.
Agora, a indefinição que não acaba, ao menos oficialmente para o público, é o cargo pelo qual JHC vai brigar. No Sábado de Aleluia, ele passa a prefeitura para Rodrigo Cunha, mas não crava se é aspirante ao Senado ou ao Palácio dos Palmares. Como também já foi dito neste blog, esta definição pode ficar para agosto, pós-convenção.
Assim de longe, parece que o prefeito tem uma ligeira queda pelo Senado. Se depender dos aliados, parças, assessores, conselheiros e acólitos, o destino é o governo estadual. Por quê? Porque o Executivo significa uma vastidão de cargos e outras janelas de oportunidades. Então deve ser por aí: JHC candidato, sim. O cargo, a gente vê adiante.
Na imagem acima, Aécio Neves, JHC e Eudócia Caldas com a ficha de filiação partidária.
