A turma do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, aponta o Renasce Salgadinho como legado “histórico” do gestor municipal. Segundo os aliados mais fiéis, é a grande obra de JHC, um “ativo” a ser vendido na campanha eleitoral ao governo de Alagoas. Eu acrescentaria mais dois itens a esse legado que fica para a História: o acordo bilionário com a Braskem e o “investimento” milionário no falido banco Master.

Quando a campanha começar oficialmente, JHC terá tempo para divulgar suas realizações “históricas”. Além do Salgadinho, há uma série de ações desenhadas exclusivamente para se transformar em postagens de rede social. Não por acaso, assim como em outras cidades do país, Maceió também ostenta um prefeito instagramável

Voltando ao legado, além de exaltar as “entregas” – como uma cadeira gigante à beira da praia e uma roda-gigante também à beira-mar –, JHC terá uma campanha eleitoral para clarear aquelas duas realizações financeiras em sua gestão. O eleitor poderá ouvir diretamente do eventual candidato as explicações que nunca recebeu.

Falando assim, pode-se deduzir que JHC nunca aparece para falar com a população, o que seria um equívoco, afinal ele é onipresente no vasto universo que vai do TikTok ao Instagram. Aí é que está! Nas redes sociais, o homem fala sozinho, deita e rola de selfie em selfie, e tudo é festa. Não há cobrança nem contestação sobre temas relevantes.

Ainda não se sabe se ele vai disputar o governo, o Senado, a Câmara Federal – ou nenhuma das alternativas citadas. A poucos metros de tomar a decisão mais esperada na política alagoana dos últimos tempos, o prefeito manda recado por meio de sua bancada na Câmara Municipal. É o que ocorre, dia sim, dia também.

O gestor da capital alagoana tem até sábado 4 de abril para anunciar a decisão: sai do cargo para disputar a eleição ou fica no mandato até o fim? Não há escapatória. É o prazo oficial para a desincompatibilização. Sobre o posto que pretende disputar, ainda tem até julho para decidir, quando se realizam as convenções partidárias.

Como diria aquela ex-presidente, no que se refere propriamente ao jogo político, a situação é delicada para o prefeito. Dispensado pelo PL de Bolsonaro e rompido com Arthur Lira, há um isolamento inédito pairando sobre Jaraguá. Como já escrevi aqui, é o momento mais angustiante para JHC em seus cinco anos e três meses de mandato.

Resumindo, quanto aos prazos, o cristão praticante JHC deve seguir um novo rumo em pleno Sábado de Aleluia. Uma Semana Santa especial para o prefeito que já disse várias vezes tomar decisões – sempre – “no tempo do Senhor”. Até lá, muita fé e orações.