Certo, vamos debater agora as origens, a estrutura de linguagem e a eficácia política que uma dancinha pode alcançar. Que país é este?! A bem da verdade, o fenômeno atravessa as fronteiras continentais. Os “dançarinos” chegaram ao topo na Argentina, em El Salvador, nos Estados Unidos e na Ucrânia anterior à guerra. Agora, na corrida presidencial brasileira, a imprensa leva o assunto às manchetes.

É o que leio a cada clique para acessar mais um site em busca de notícias. Reportagens trazem avaliações de uma constelação de especialistas sobre a engrenagem que move a dancinha. Colunistas e marqueteiros também estão na área para explicar os virtuais efeitos de requebros e pinotes em cima de um palanque. E há controvérsias, é claro.

Para alguns professores ouvidos pelo jornalismo, a dancinha pode sim pescar alguns votos para o candidato. Mas outros entendidos no tema discordam. A tática eleitoral é uma maravilha, mas apenas para a turma que já é fiel ao “dançarino”. Existe ainda o perigo de ocorrer o efeito contrário ao que se esperava – porque o ridículo está logo ali.

Sem medo do vexame, Flávio Bolsonaro é o personagem central desse noticiário sobre o balé eleitoreiro. Seus parças dizem que assim ele busca falar mais de perto com a audiência TikTok e a geração Z – que são mais ou menos a mesma coisa. Nos últimos dias, o Zero Um exibiu seu estilo malemolente em comícios improvisados pelo país.

A estratégia do senador tem outro objetivo no embate com o presidente Lula. A dancinha serve, segundo este raciocínio, para firmar um contraponto em relação a um homem de 80 anos que tenta a reeleição. Mais ou menos assim: é o jovem e vigoroso Flávio contra um velho que anda falando coisas sem sentido. Com respeito e sem etarismo.

Como tudo tem um começo – às vezes mais remoto do que parece –, dancinha na política é coisa de antigamente. É contemporânea do chapéu de vaqueiro e do pastel nas campanhas eleitorais. Você já viu: candidato a presidente vai à padaria e à feira para petiscar com o povão. E, em visita a estados nordestinos, se fantasia de cabra da peste.

A música sempre fez parte desse teatro fraudulento da política. Afinal, o jingle de campanha serve também para isso. Na disputa de 2022, Lula meteu o boné no coco e saiu em coreografia ao lado de jovens e adolescentes. De lá para cá, o panorama se degenerou com Javier Milei e Donald Trump, entre outros renovadores da dancinha. 

Aqui em Alagoas, lembro de Benedito de Lira e seu estilo fulminante na eleição de 2010. Na briga por uma cadeira de senador, Biu virou o jogo que parecia perdido e conquistou o mandato. Uma de suas armas? A dancinha que embalou toda a campanha, ajudando até na reeleição do governador Téo Vilela. Exagero? Nada disso. Perguntem a Vilela.

Pois agora eis aí a imprensa a gastar tinta, papel e caneta para investigar o mais “novo elemento” na eleição para presidente da República. A conferir a reação de Lula e sua turma para armar o contra-ataque. Brasil, meu Brasil brasileiro...♪