O inominável PowerPoint da Globo News não para de provocar estragos para a emissora. A “arte” com os envolvidos no caso Master foi tão flagrantemente errada que causou a demissão de dois jornalistas da TV. Como se sabe, ao apresentar as conexões de políticos e autoridades com o banqueiro Daniel Vorcaro, o jornalismo da Globo decretou que Lula, o PT e a esquerda são os vilões da história. A turma da direita é toda inocente.

Não se trata de um campeonato para descobrir quem é o mais corrupto na bagaceira. O escândalo exige investigação séria e cobertura responsável da imprensa. Pelas vias do Congresso Nacional, a coisa logo desandou com os vazamentos seletivos, feitos sob encomenda para detonar uns e aliviar para outros. Longa tradição.

A lambança da Globo News se deu no programa comandado por Andréia Sadi, um dos nomes mais badalados no planeta televisivo. Dois ou três dias depois da exibição da presepada, Sadi leu um pedido de desculpas pelo “erro”, pela “falta de critérios” para citar nomes e, finalmente, porque a ilustração estava “incompleta”.

Não adiantou de nada. Ninguém se comoveu com o reconhecimento da falha grave. A jornalista está vivendo a experiência dos ataques em massa e do tal cancelamento. As mensagens são pesadas, com incentivo a agressão física, violência sexual e até ameaça de morte. A profissional adotou medidas de precaução. Nunca se sabe. 

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo se manifestou em apoio à funcionária do Grupo Globo. “A Abraji repudia de forma veemente as ameaças de intimidação e de violência física e sexual à jornalista Andréia Sadi, apresentadora da Globo News, e a seus familiares”, diz um trecho da nota divulgada pela entidade.

Mas de quem é a responsabilidade por aquilo que vai ao ar nos telejornais e programas da TV? O que vemos como regra é a confusão entre o profissional e a empresa. Ainda que um repórter ou um editor devam explicações pelo conteúdo que produzem, a cadeia de mando é mais complexa. Devemos convocar os chefões para esclarecimentos.

Como escrevi em post anterior, no pedido de desculpas, Sadi parece nervosa na leitura atropelada do texto. Essa imagem turbinou a onda de hostilidade que incendeia linchadores e justiceiros sedentos por uma carnificina. O episódio serve de lição não apenas para os envolvidos diretamente, mas para toda a imprensa. Aprender é bom.

Andréia Sadi e a Globo News pagam pelo histórico remoto e por delitos recentes. Aquela outra arte eletrônica, com dutos e esgotos despejando dinheiro, diariamente no Jornal Nacional, será eternamente lembrada. É exemplo fino e acabado de como o jornalismo é capaz de se aliar ao banditismo da baixa política, disfarçado de “indignação social”.