O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, parece um homem atormentado. Foi com tal aparência que ele surgiu, em rápido contato com a imprensa, nesta quarta-feira 25 de março. Em seis anos de mandato na prefeitura da capital alagoana, nunca se viu o titular da cadeira sinalizar tamanho aperreio. A cara fechada, o cenho franzido e o tom de voz irritadiço expuseram o político em seu momento mais dramático.

O encontro de JHC com jornalistas ocorreu, como sempre, numa dessas inaugurações festivas. Mas o repórter Rogério Costa, da Gazeta, encaixou três perguntas que deixaram o prefeito visivelmente incomodado. Qual a decisão sobre as eleições? Vai mesmo para o PSDB? E os vereadores do PL correm risco de ficar sem mandado?

Para as três perguntas, JHC repetiu a mesma resposta, com uma palavra a mais ou a menos, mas sem alterar a essência da coisa, recusando-se a esclarecer os fatos. Fala o chefe da prefeitura: “Todas essas definições estão sendo discutidas. O momento agora é de entrega. A sociedade não quer saber de partido, quer saber das entregas”.

JHC fugiu das perguntas obrigatórias do jornalista, é verdade. Nada falou sobre o que fará depois de ser banido do PL pelo núcleo duro do bolsonarismo. Mas, pensando bem, foi a não-resposta mais reveladora dos últimos tempos na política brasileira. Revelou, reitero, o político agoniado e, pode-se especular, com um temor paralisante.

Na semana passada, o filho de João Caldas e da senadora Eudócia já havia espalhado indícios de sua angústia a esta altura do calendário eleitoral. Naquele minicomício, o homem rechaçou o uso de “cabresto” – e, ainda mais eloquente, avisou que não exibe “etiqueta de vende-se”. Todos entenderam ser recados para o deputado Arthur Lira.

A breve entrevista do prefeito poderia ser usada em sala de aula nos cursos de Jornalismo. Repórter e entrevistado encerram um contraste de posturas inconciliáveis. São dois movimentos na contramão, sem chance de um acordo entre a procura por informações e o desvio de rota para o nevoeiro. Restam, portanto, algumas suspeitas.

A principal seria a de que nada está resolvido na vida do prefeito de Maceió. A poucos dias da decisão sobre se sai ou se fica no cargo, JHC parece perdido. Daí que os sinais de angústia com as escolhas a fazer se tornem mais ostensivos. Foi o que apareceu claramente nessa entrevista coletiva (foto). Segue o eterno suspense.