O PL dispensa João Henrique Caldas com a mesma naturalidade com a qual o recebeu, em outubro de 2022, no segundo turno da eleição presidencial. O prefeito deixava a “neutralidade” para embarcar num bolsonarismo de ocasião. Sendo assim, a separação conturbada agora está à altura do casuísmo que uniu os dois lados, JHC e a legenda. A relação nunca foi de entrosamento amplo e irrestrito. Um dia, terminaria desse jeito.

São muitos aspectos, variáveis e desdobramentos – algumas consequências ainda estão a caminho. Mas muito já aconteceu. Há o lado da política alagoana, com a repercussão, as mudanças de rota e os estragos no âmbito eleitoral. E há o lado nacional, com a posição de Valdemar Costa Neto e o palanque para Flávio Bolsonaro.

Os dois lados se misturam e se comunicam diretamente. Incrível, mas, mesmo tratado de modo hostil pelo agora ex-partido, JHC não falou. Seu discurso com termos genéricos, durante uma inauguração, manda recado sobre o racha com Arthur Lira. Mas fica por aí. Nenhuma palavra quanto às escolhas que fará sobre a disputa nas urnas.

Leio que o comando do PL – de modo provisório – está nas mãos do deputado estadual Cabo Bebeto. O vice é o vereador Leonardo Dias. A dupla manda, mas não manda muito no pedaço. Estão na órbita de Arthur Lira, que além de controlar o PP estadual, dá ordens em outras siglas. O PL encolhe alguns quilômetros sob a nova direção alagoana.

Depois de socialista utópico no PSB, e liberal meio bolsonarista no PL, o prefeito da capital está a uma assinatura de virar tucano. Vai para o PSDB, como revelou o jornalista Edivaldo Junior na Gazetaweb. Um novo ingrediente que provoca movimentos inéditos.

Ninguém põe cabresto pra cima de nós, disse JHC em frase para a torcida nas redes sociais. É uma referência a Arthur Lira, que pretende limpar a área das candidaturas ao Senado. O dilema se arrasta há dois anos, e vai se arrastar até o limite do calendário.

Todos esperam o anúncio do prefeito sobre o cargo a disputar, entre governo e Senado. A virtual candidatura da primeira-dama, Marina Candia, é uma surpresa que se impôs em poucos meses. Segundo as pesquisas, ela tem voto para senadora e deputada federal.

E o palanque nacional? O PSDB de Aécio Neves e Marconi Perilo é antilula, com a mesma agressividade da extrema direita. E sabe aquele acordo de Brasília, com o STJ com tudo? O prefeito JHC pode revigorar a velha fama dos tucanos, subindo no muro.