Em atenção a leitores que deixam seus comentários no blog, vamos tratar do caso Master e do escândalo do INSS. Bem, na verdade os dois temas apareceram aqui mais de uma vez, como se pode conferir no arquivo à sua disposição. Em post do último dia 7, escrevi que o ministro Alexandre de Moraes deveria se afastar do STF diante dos fatos até agora conhecidos na bagaceira do Master. Ele cruzou uma linha sem volta.
Dias Toffoli é o outro ministro do Supremo enrolado até o pescoço em negócios pra lá de suspeitos com o banqueiro Daniel Vorcaro. Aliás, nesta quinta-feira, Vorcaro deu um passo na direção de uma delação premiada. Se contar tudo o que sabe e apontar seus sócios no topo do poder, será um terremoto na República. A expectativa é nesse nível.
A presença de ministros do STF no rolo do Master é apenas um aspecto nesse vendaval. A lista de autoridades e políticos que já foram citados parece interminável. Tem para todos os gostos, de Ciro Nogueira a Jaques Wagner – para ficarmos em dois opostos. Trata-se de um emaranhado que percorre a direita, a esquerda e o centrão.
No caso do roubo bilionário no INSS, leitores insistem numa opinião deste blogueiro sobre Lulinha, o filho do presidente Lula. Do que se sabe, ele teve mais de um contato com o tal Careca do INSS, o chefe do esquema. Os sigilos fiscal e bancário de Lulinha foram quebrados e – fato é fato – nada que o incrimine apareceu. Que se apure tudo.
Parte do leitorado que passa por aqui parece defender Bolsonaro e suas ideias com fervor. São escolhas legítimas de cada um. O que não pode é decretar sumariamente a culpa de alguém apenas por ser “inimigo ideológico”. No Estado de Direito, o devido processo legal é sagrado. Vetado está aquele padrão visto na gang da Lava Jato.
As investigações sobre os trambiques bilionários no INSS e do Master estão em andamento, seguindo até agora o rito obrigatório. O relator do caso Master no STF é o ministro André Mendonça, o diabolicamente evangélico indicado por Jair Messias. Não se pode acusá-lo de perseguição à turma do ex-presidente que o escolheu.
Na guerra política, como se sabe, a verdade está em todo lugar e em lugar nenhum. Prevalece a paixão pelos “mitos” de ocasião em detrimento da clareza sobre o que é descoberto e trazido a público. Para piorar, estamos em ano eleitoral.
A oposição ao governo tenta a todo o custo empurrar os dois escândalos para o colo do presidente Lula. Não importa se há evidências ou não quanto a “denúncias”, temos de pegar o “Luladrão”, o “Nove dedos”, o “descondenado”. O jogo é isso daí, ok?
O tema corrupção foi usado historicamente pela direita como arma política. Basta lembrar o “mar de lama” de Carlos Lacerda nos tempos de Getúlio Vargas. Aliás, desde a Primeira República estamos nessa. Mudam os atores, segue o desalento.
