O acontecimento é inédito. Pela primeira vez, o STF condena políticos por desvio de recursos de emendas parlamentares. Por unanimidade, os ministros da Primeira Turma condenaram três deputados do PL – dois do Maranhão e um de Sergipe. Um dos sentenciados é pastor evangélico do mesmo time de gente como Sóstenes Cavalcante. A decisão do Supremo dá um susto numa multidão de integrantes do Congresso Nacional.

O medo se espalha por todos os partidos, de todas as correntes ideológicas, na Câmara e no Senado. E por que isso? Porque a farra das emendas atinge o conjunto do parlamento. A destinação desses recursos sempre foi bagunçada, mas a engenharia alcançou o estado da arte na gestão de Arthur Lira como presidente da Câmara.

Defendo a extinção dessa excrescência. O conjunto da obra atesta que esse mecanismo é avenida livre para a corrupção. Emenda parlamentar serve para cooptar apoiadores e comprar voto. O valor repassado é dividido entre o autor da proposta, a entidade “filantrópica” e – mais importante – prefeitos aliados. Um ciclo maldito.

O argumento de congressistas para defender as emendas é piada pronta: eles conhecem as necessidades do país como ninguém. Segundo essa ficção, o governo federal e seus ministérios ficam distantes dos rincões do Brasil profundo. Por isso, bora sugar o orçamento da União para resolver os dramas brasileiros. Não dá.

Falei acima sobre ideologia. Os três condenados agora são do PL, o partido da família Bolsonaro. Logo a turma da direita que veio ao mundo para combater a corrupção do PT?! Pois é. Mas, não, a delinquência com o dinheiro público, reitero, não tem cor partidária. Investigações provam a diversidade política da roubalheira.

Condenados em média a 5 anos de prisão em regime semiaberto, os três deputados esperam agora que a Câmara mantenha seus mandatos. Cabe ao parlamento decidir se o trio continua ética e moralmente apto a ocupar um assento no Poder Legislativo.

Vem mais punição por aí? O STF acaba de abrir jurisprudência, digamos assim, e isso preocupa meio mundo na política. Suspeito que, se todos os picaretas fossem ao banco dos réus, o Congresso entraria em recesso extra por tempo indeterminado.