Não é de hoje que Jair Bolsonaro está com o pé na cova. A julgar pelo que dizem os filhos e a mulher do ex-presidente, o falso mito pode partir desta pra melhor a qualquer momento. Não dorme direito, sofre com dores pelo corpo, não para de tossir e soluçar e tem surtos de depressão. Pode-se dizer que o herói do cidadão de bem vive à beira de um colapso fatal. Ainda bem que recebe orações de Léo Dias e Cabo Bebeto!
A família e aliados do condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado forçam a barra para uma prisão domiciliar. Depois de cada visita ao presidiário, Carlos, Flávio e Michelle correm aos microfones para anunciar que o homem está nas últimas. O dramalhão de quinta categoria ganha audiência e repercussão nas redes sociais.
O exotismo, diante desse diagnóstico fatalista, está no comportamento de Bolsonaro. Enquanto espera a morte chegar, ele não para de fazer política. Sua hospedagem na suíte VIP da Papuda se tornou comitê eleitoral. Todo dia, o capitão golpista recebe visita de aliados para falar de eleição. Não falta energia ao patriota agonizante.
A última presepada dessa turma foi um vídeo de uma lunática a denunciar que jornalistas “torcem pela morte de Bolsonaro”. Michelle reproduziu a fraude em sua bolha digital para agitar seguidores. É como se fosse a porção permanente de ração para alimentar a manada de adestrados. Com isso, segue firme a ofensiva eleitoreira.
Como diria Bolsonaro, todo mundo vai morrer um dia – e eu não sou coveiro. Minha torcida, no entanto, é que ele se mantenha em boa saúde e cumpra a sentença pelos crimes que cometeu. E afinal a quem a morte de Jair beneficiaria neste cenário? Sim, o grande beneficiado seria o candidato a presidente Flávio Bolsonaro. Parece óbvio.
Esse jogo de cena me lembrou de um personagem de O Poderoso Chefão II. O mafioso Hyman Roth fala e se comporta como um paciente terminal. De pijama ou em trajes quase esmolambados, vende a imagem de um velhinho inofensivo a meio metro do além. Enquanto isso, toca seus negócios sob disfarce perfeito, longe de inimigos e da lei.
Michael Corleone demora, mas um dia percebe a farsa do “velho amigo da família”. Quando finalmente saca a jogada, diz ele sobre o camarada que se fingia de quase morto para pegá-lo: “Roth está morrendo do mesmo ataque cardíaco há vinte anos”.
A chanchada bolsonarista não tem a densidade desse clássico do cinema universal. Mas a tática do personagem de ficção se aproxima das marmotas do golpista da vida real brasileira. Por isso, olho na choradeira fake da gentalha – que não passa de politicagem.
