Paira no ar um certo suspense envolvendo a imprensa no furacão do caso Master. É tanta informação sobre tantos aspectos, com novos nomes, cifras e negócios a cada vazamento, que o leitor tem o direito de se sentir perdido. A não ser, claro, a militância política na defesa de um lado ou de outro, especialmente nas batalhas pelas redes. Quem está mais enrascado no vendaval Vorcaro? Culpados à direita ou à esquerda?

Em tese, essa disputa particular não faz sentido diante do paradigma segundo o qual a corrupção não tem ideologia. Ou melhor, o crime em geral não atua ideologicamente. A associação direta entre uma ideia e um tipo penal, no entanto, periga se impor como pauta prioritária na corrida eleitoral. Governo e oposição afiam os arsenais.

Todo dia surgem parlamentares, de todos os partidos, acusando o adversário de ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro. Virou mote automático de campanha. Isso sem falar no elo mortal com o Judiciário. Por enquanto, o STF é a instituição mais avariada com as revelações das investigações da Polícia Federal. Como já escrevi, crise sem precedente.

No Supremo, a situação de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes é de paciente respirando por aparelhos, sob cuidados paliativos. Não dá para prever como a corte pode escapar do abismo mantendo ilesos os dois ministros sob suspeita. Como tudo isso está sitiado pela guerra político-eleitoral, a tendência, claro, é de acirramento imparável.

Mas o texto era sobre a imprensa. E aquele suspense. Qual? Todos parecem nervosos com a informação de que Vorcaro tinha jornalistas em sua folha de pagamento. Jornalistas e empresas de comunicação. Além dos influenciadores que ganharam para produzir vídeos. Globo, Poder 360, DCM e Platô BR fizeram negócios com o Master.

Cada veículo se manifestou de um jeito. A Globo, até onde sei, ficou em silêncio. Nas colunas e em canais de notícia no YouTube, há acusações de todos contra todos. Até Léo Dias, site de fofocas com subcelebridades, levou uma grana do banqueiro. Mas no jornalismo político é que a coisa pega fogo. Há “analistas” se fingindo de doidão.

No tiroteio entre jornalistas, o nome de Malu Gaspar aparece em todas. Mas, diga-se logo, não paira sobre ela qualquer tipo de suspeita em seu trabalho no caso Master. Colunista de O Globo e da Globonews, ela divulgou, em primeira mão, as informações que detonaram Toffoli e Moraes. Na grande rede, a profissional é alvo de infâmias.

O banqueiro enjaulado em presídio de segurança máxima negocia delação premiada. Todo caso apto à categoria de escândalo, cedo ou cedo, acaba em delação. O histórico mostra que o saldo é um desastre (mas este é assunto para outro texto). Sobre a imprensa e o Master, taí uma combinação que explica parte de nosso drama eterno.