Saiu neste sábado a tão esperada pesquisa Datafolha com novos números na corrida presidencial. Desde a semana passada, colunistas escrevem especulações sobre o panorama agora apresentado. Diante do profetizado, não foi bem assim. Lula segue na liderança nos cinco cenários projetados de primeiro turno, com Flávio Bolsonaro, Ratinho Junior, Romeu Zema e Eduardo Leite. Aldo Rebelo e Renan Santos fecham a pista.
A novidade que todos já espalhavam é o empate técnico entre Lula e Flávio no eventual segundo turno. O presidente surge com 46% das intenções de voto contra 43% do filho Zero Um do ex-presidente. As previsões apontavam para Flávio numericamente à dianteira, mas isso não se confirmou – talvez por ser mais torcida do que análise.
Mais uma vez houve exagero nas avaliações que atestavam queda de Lula nas pesquisas em decorrência de erros em série. O principal tropeço teria sido o desfile da Sapucaí. Uma suposta ofensa à “família brasileira” e ao povo evangélico derrubaria as intenções de voto do presidente. Não rolou isso daí. Se não ainda, não vai acontecer mais nada.
Na verdade, o fato mais relevante no Datafolha já havia sido detectado nas várias pesquisas anteriores de outros institutos. Sim, Flávio Bolsonaro se consolida como o adversário de Lula. O senador se beneficia com a absoluta transferência dos votos de seu pai. Está claro que o bolsonarismo e a direita em geral já esqueceram Tarcísio de Freitas.
Bem, se o país não consegue escapar da desgastante (e desgastada) polarização, teremos uma reedição de 2018 e, sobretudo, 2022. É pancadaria para todos os lados no duelo voto a voto. Se Lula parou de nadar em águas favoráveis, não se confirmou a profecia de que agora estaria se afogando. Nada disso. A reeleição é uma possibilidade.
A CPI do INSS faz carnaval desde o ano passado. Parece que ainda não surtiu os efeitos que a oposição esperava. A investigação sobre o golpe nos aposentados e o caso Master – duas bombas simultâneas – vão provocar estragos cujo alcance ainda não está claro. O novo Datafolha não altera o rumo das coisas até aqui – com ou sem escândalos.
A sete meses da votação, o eleitorado não dá bola para a conversa de “terceira via”. Com as opções que assim se apresentam, fica difícil. Basta citar Zema e Caiado sob tal ideia para que se esqueça a brincadeira. Dois brucutus querendo bailar de civilizados! Não vai ser por aí. A essa altura, o embate já escolheu os dois protagonistas.










