Em ano de eleição presidencial, devemos dar prioridade aos temas que de fato importam na vida dos brasileiros. Devemos cobrar dos postulantes ao cargo máximo do país posições claras e objetivas sobre problemas que mais afligem nosso dia a dia. Dito isso, então vamos ao que interessa. O que o presidente que tenta renovar o mandato tem a nos dizer sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã? Sem tapeação nem arrodeios.

A julgar pelo que falam e escrevem analistas pela imprensa afora, o povo está aflito para saber como o senhor Lula da Silva vai tratar o conflito no Oriente Médio. Parece que há milhões perdendo o sono com essa agonia político-existencial. Essas análises insinuam – algumas, até cravam mesmo – que o petista agora sim está lascado.

Tudo isso combina com o discurso de Flávio Bolsonaro, o estadista que pretende derrotar Lula e governar o país. Aliás, para mostrar o quanto entende de geopolítica global, Flávio já escalou o irmão Eduardo como futuro ministro das Relações Exteriores. Faz sentido. No governo do Jair, o posto foi do inclassificável Ernesto Araújo.

Ernesto Araújo, para quem já esqueceu, foi aquele que disse se orgulhar da condição de pária internacional que o país vivia naquele período de trevas. Pelas sandices produzidas em larga escala, o sujeito ganhou o título de beato Salu, o lendário personagem de Roque Santeiro. O governo do “mito” vandalizou até o respeitável Itamaraty. 

As presepadas do beato Salu sobre questões internacionais ilustram o pensamento da extrema direita e do bolsonarismo. Aqui mesmo em Alagoas, gigantes da política, seguidores do capitão da tortura, atacam o governo brasileiro por sua posição diante da guerra iniciada por Donald Trump. Ah, esse Lula e seus amigos ditadores!

Nem vou perder tempo com a contradição fatal dessas tranqueiras saudosistas da ditadura militar que torturou e matou brasileiros. Bolsonaro tem como modelo de vida o torturador Brilhante Ustra. A política da morte é com essa gentalha.

Transformar o conflito lá fora em mote de campanha eleitoral aqui dentro é de um ridículo constrangedor. Essa conversa sem sentido atesta apenas que, na guerra pelo voto, o vale-tudo está amplamente liberado, ainda que desafie a razão e a lógica. Após trocarem a bandeira do Brasil pela norte-americana, os fanáticos têm mais uma causa.