Uma candidatura nas eleições brasileiras, como você sabe, custa muito dinheiro. Pode-se gastar uma fortuna na tentativa de se alcançar um mandato. Em alguns casos, sobretudo na disputa majoritária, o combo bate na casa dos 10, 30, 50 milhões de reais. A cada dois anos, a imprensa sai por aí ouvindo especialistas em contabilidade eleitoral. Mas as estimativas nunca traduzem os números reais – porque o caixa dois é a regra.
Agora, se um candidato é caro, quanto custa o senhor Não-Candidato? Quanto vale uma não-candidatura? Esta é uma realidade consagrada em toda disputa eleitoral. Porque uma eleição é uma janela de oportunidade para os que estão dispostos a empreender. Sim, esse mercado está cada vez mais ativo, como o Brasil acaba de constatar.
Fazia algum tempo que não ouvia falar desse tipo de negociação na ciranda paralela do voto, digamos assim. Foi preciso que Flávio Bolsonaro entrasse em campanha presidencial para que um curioso caso viesse a público. Como mostrou a Folha, durante reunião com a direção do PL, o senador fez anotações sobre alianças e aliados pelo país.
Anota o filho de Bolsonaro que pretende chegar ao Planalto e governar o Brasil: “Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)”. Ele se refere ao deputado Marcos Pollon, do PL do Mato Grosso do Sul. O bolsonarista se insinua candidato a senador ou a governador, mas o PL por lá tem outros planos. Resultado: não ser candidato vale 15 milhões de reais.
Nas mesmas anotações, Flávio informa: “Mulher Rodolpho (pediu 5 mi)”. É uma referência a Gianni Nogueira, casada com o deputado Rodolfo Nogueira, também do PL do MS. Vejam, somente com dois nomes, de um único estado, a campanha de Flávio já precisa de ao menos 20 milhões de reais. E isso para comprar duas não-candidaturas.
Deve-se ressaltar que Flávio confirma que fez tais anotações enquanto debatia os rumos do país com Valdemar Costa Neto e outras lideranças do PL. Sobre o deputado Marcos Pollon, o senador esclarece: “Já está sendo distorcido pela imprensa, como se ele tivesse pedido alguma coisa para deixar de ser candidato”. Ok, está esclarecido.
E como será que anda esse comércio no território alagoano? Certamente nervoso, como sempre ocorre na bienal das urnas. Jamais conheceremos valores e identidades na lista dos pré-candidatos que, do nada, desistem da corrida. O que sabemos? Há alguns nomes que, agora mesmo, são assediados para virar um não-candidato. Leilão aberto!










