Vinte mil pessoas. Esse foi o tamanho da “grande” manifestação do bolsonarismo em São Paulo neste domingo, primeiro de março. O levantamento foi feito pela USP. Em 7 de setembro do ano passado, a turma da ultradireita levou 40 mil à mesma Avenida Paulista. Para quem domina a matemática, não resta dúvida quanto ao fiasco de agora. Por que as ruas desistiram do carnaval de Flávio, Nikolas, Malafaia e assemelhados?    

Não é fato isolado. O Brasil vai parar, vai pegar fogo, se Bolsonaro for condenado pelo STF. Era o que garantiam as lideranças fiéis ao capitão da tortura – até a sentença e a cadeia para o ex-presidente. O “mito” está num puxadinho de luxo no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília. E o Brasil não parou e nem foi incendiado.

Qual a mercadoria levada às manifestações deste domingo? Uma bem antiga, desde que Bolsonaro ascendeu na cena política a partir da campanha de 2018: ataques a Lula e ao STF. Tivemos a mesma cantilena nos quatro anos do desgoverno do miliciano.

Mas agora já estamos em 2026, em uma nova campanha eleitoral. O governo Lula tem como estratégia divulgar seus feitos na economia e demais áreas de gestão. É o normal. Flávio Bolsonaro tem como estratégia esculhambar Lula, a esquerda e a “ditadura de toga”. De novo essa fábula? Pois é. Parece que parte da seita se cansou do papo furado.

Nos “bons tempos” da histeria bolsonarista, os cidadãos de bem e suas famílias recatadas levariam centenas de milhares às praças, parques e avenidas. Ocorre que, na ação política, a gente precisa de novidade, de renovação e, sobretudo, de resultados concretos. Mas a direita e suas facções vendem o contrário. Mais do mesmo.

Apesar de sucessivas derrotas na “disputa por narrativas”, o reacionarismo se animou com a atual postura da velha imprensa. A pretexto de criticar excessos em decisões de ministros, os chamados jornalões e grandes portais partiram pra cima do Supremo. Todo dia, algum editorial ataca o tribunal, agindo como linha auxiliar à discurseira falaciosa.

Ao mesmo tempo, principalmente depois da Sapucaí, reportagens e colunistas tentam vender a ideia de que o governo está à beira do colapso. Era o que também ocorria entre o fim de 2024 e os primeiros meses do ano passado. Lembram-se da “crise do Pix”?

Passou aquela crise artificial, o governo venceu o tarifaço de Trump, e Lula segue no páreo pela reeleição. A campanha será uma carnificina – agora com o requinte da inteligência artificial. Numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro, o programa de governo já está desenhado: é porradaria nas instituições e anistia geral à bandidagem golpista.

Ia esquecendo que em Maceió também houve manifestação domingueira. Assim como no resto do país, meia dúzia de almas penadas poluíram a paisagem da cidade com gritaria, orações e reprodução de mentiras em série. A tropa de choque do gangsterismo antidemocrático estava nos microfones. É o que a ultradireita tem para hoje. E sempre.