A revelação de um contrato entre o escritório da mulher de Alexandre de Moraes e o banco Master já havia trincado a imagem do ministro do STF. 129 milhões de reais por três anos de serviços desconhecidos. As cifras e os termos do contrato são de um exotismo sem explicações. O fator conflito de interesses está no meio da sala à vista de todos. Mas isso seria a reprodução de um pecado comum a outros ministros da Corte.

O que veio a público nas últimas horas supera em muito o potencial de consequências para o tribunal e para o ministro em particular. Resumindo, um integrante do STF trocando mensagens com um investigado por um esquema de desvios bilionários. O mesmo ministro daquele contrato numa espécie de assessoria ao banqueiro delinquente.

Moraes cita um estudo técnico para negar a troca de mensagens. A informação saiu em O Globo em reportagem de Malu Gaspar. A imprensa comprou a versão do jornal carioca, e alguns veículos dizem ter confirmado as mesmas informações. Até agora, segue o espanto, sem qualquer sinal de alguma inconsistência no que foi publicado.

É ilegal, é imoral ou engorda? Parece que estamos diante de algo assim. Ou pelo menos é o caminho da defesa ensaiada pelo Xandão que encolheu. Salvo engano, ele se manifestou duas ou três vezes, com notas da assessoria, numa mesma direção – negar que tenha recebido as mensagens mais comprometedoras. Difícil.

O bolsonarismo e a direita exploram politicamente o enredo que saiu das sombras nos vazamentos em escala industrial. O uso político do escândalo está na conta do previsível. A essa altura, todos os lados estão apreensivos com o que ainda virá das investigações do Master. Esquerda, direita e centro, todos juntos e enrolados, estão no vendaval.

Mas como ficará Alexandre de Moraes com a suspeita nas costas? É a maior crise no STF desde sua inauguração. Por aí. E um integrante do time em tal condição – com a moralidade em xeque – será uma homenagem permanente ao erro e à malandragem. O longo caminho do impeachment via Senado, agora, é um debate pertinente.

A confusão aqui não é Bolsonaro condenado e preso por golpe de Estado. Também não interessa a guerra política no ano eleitoral. Claro que um megaescândalo tomará conta de boa parte da campanha, como sempre ocorre a cada dois anos. Nada disso, porém, pode barrar o esclarecimento dos fatos que envolvem Moraes e o Master.

Pelo que se sabe até agora, Xandão derreteu e deveria sair do STF. A conferir.