O vice-governador Ronaldo Lessa ensaia entrar na briga por uma cadeira no Senado. Há exatos vinte anos, ele tentou um mandato de senador pela primeira vez. Naquela época, era o caminho natural para quem acabara de deixar o governo e pretendia novas conquistas. Eleito para governar o estado em 1998 e reeleito em 2002, Lessa tinha certeza de que a eleição estava garantida. E o clima geral na sua turma era esse mesmo.

Ao lado de Téo Vilela (então candidato a governador), com a força da máquina pública e apoiado pelas maiores lideranças naquele cenário, Lessa teria cometido o erro fatal da soberba. Ainda na campanha, o homem já era tratado entre os seus – e por analistas na imprensa – como virtual senador. Mas eleição não se ganha na véspera.

Lembrando que havia em jogo apenas uma cadeira de senador, e não duas, como na eleição deste ano. Portanto, pela lógica elementar, o cuidado para evitar tropeços deveria ser redobrado. Não há margem para vacilo numa batalha curta. O tempo para recuperação evapora. Às pressas, a solução ideal não passa de gambiarra. 

Quando as urnas foram abertas, Lessa estava derrotado – e o personagem maior daquela eleição seria Fernando Collor. O ex-presidente, ao contrário de seu adversário, agiu como estrategista que não subestima as circunstâncias e nem o poderio dos rivais. Em 2002, Collor foi derrotado pelo próprio Lessa na eleição para o governo.

Talvez tenha sido esse um dos fatores que levaram Ronaldo Lessa a crer no triunfo antes da hora. Collor segurou o anúncio de sua candidatura até o limite do prazo legal. Quando os concorrentes acordaram, a eleição estava em cima – e o ex-presidente se beneficiou do pouco tempo de campanha. Restavam 28 dias para conquistar o eleitorado.

Além de Lessa, o outro grande derrotado naquela disputa de duas décadas atrás foi José Thomaz Nonô. Como deputado federal, ele havia apoiado Collor para o governo na eleição de 2002. Dois anos depois, com reeleição certa à Câmara, Nonô decidiu pelo voo mais alto. Para isso, contava que o ex-parceiro não seria candidato a senador.

Mas Collor foi cozinhando a conversa, dando sinais contraditórios, dizendo que sim, que não e talvez – tudo ao mesmo tempo. Até hoje, Nonô não engole o desfecho daquela temporada eleitoral. Pode-se dizer que sua trajetória na primeira divisão da política alagoana acabou ali. Lessa ainda está na área, mas nunca mais foi o mesmo.

Nenhuma eleição é igual a outra. Duas décadas depois, então, nem se fale. De todo modo, na disputa que perdeu em 2006, Ronaldo Lessa estava por cima da onda e era tido como favorito. Agora, longe do poder que já exerceu, se confirmada a candidatura ao Senado, ele será visto como azarão. Não existe brecha para acreditar no contrário.