Os movimentos das últimas horas mudam, em alguma medida a ser mais bem avaliada, o desenho eleitoral alagoano. Um: o prefeito João Henrique Caldas rompido com o PL. Dois: o virtual ingresso de JHC à combalida casa tucana. Três: o deputado federal Alfredo Gaspar troca o União Brasil pelo PL. Num breve espaço de tempo, foi agitação prevista para um ano inteiro. Muda também, é claro, o debate sobre nomes e cargos.

Dos três fatos novos citados decorrem ajustes de rota, troca de alianças e reavaliação da raiz quadrada custo-benefício. Candidatura requer fortunas, ainda mais na disputa majoritária. JHC parece isolado após aparente rompimento com um dos blocos que decidem o rumo das coisas na divisão do poder. Do outro bloco, ele já é oposição.

Algumas peças mudam de lugar. Precisamente por causa das mudanças recentes, a candidatura de Alfredo Gaspar ao governo estadual se fortalece. Aliás, é seu melhor momento desde que passou a ser citado como possível aspirante ao Palácio dos Palmares. Se confirmada a aventura, será o palanque alagoano de Flávio Bolsonaro.

Foi para selar esse compromisso que Gaspar e o senador Flávio se encontraram no ato de assinatura da filiação partidária. Mas ainda não se pode celebrar cem por cento de jogo combinado. No vídeo de divulgação, a dupla não faz referência à candidatura do deputado. Enquanto houver prazo legal pela frente, as negociações não param.

Caso Gaspar saia mesmo candidato a governador, estará numa posição inusitada, talvez desconfortável: terá de bater no seu primeiro padrinho político, o senador Renan Filho. Afinal, para resumir o caso, o hoje deputado foi um dos secretários mais festejados nos governos Renan. Como será essa briga no voto diante do passado?

Como se sabe, Gaspar é o político de um ou dois temas, e pronto. Pretende salvar o Brasil do mar de lama da corrupção e do terrorismo do crime organizado. Por gratidão, o deputado pode centrar fogo em Paulo Dantas (e Flávio Saraiva), fingindo que eles não têm ligação com seu concorrente. Ou nada disso importa – e a pancadaria vem aí.

Em 2020, o deputado disputou a prefeitura de Maceió com o apoio dos adversários de hoje. De lá para cá, mesmo em lados opostos na “polarização nacional”, Alfredo Gaspar e os Calheiros agiram, digamos assim, nos marcos da diplomacia. Mas eleição é outro nível. Está claro que faltam detalhes para um anúncio oficial do PL. Clima tenso.