Deixo de lado a acusação de estupro feita pelo deputado Lindbergh Farias contra o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar. O desfecho da Comissão confirmou em cheio as piores previsões acerca do trabalho de deputados e senadores. O que deveria ser uma investigação séria sobre um escândalo bilionário se transformou em palco para o grotesco. Gaspar deu contribuição decisiva para o desastre.

É tanta lambança que fica até difícil contemplar o panorama completo. Mas vejam a foto acima. É Alfredo Gaspar assinando ficha de filiação ao PL, com a chancela de Flávio Bolsonaro, o candidato a presidente da extrema direita. Lado a lado, os dois falaram sobre “recuperar o Brasil”, porque afinal “ninguém aguenta mais quatro anos de PT”. 

E daí? Bom, o problema é que Alfredo Gaspar prometeu um “relatório técnico”, sem apontar para, em suas palavras, “governo A, B, C ou D”. O que interessa é punir culpados e devolver o dinheiro às vítimas do golpe. A verdade é que a grana já foi devolvida a pensionistas e aposentados – numa ação exclusiva do governo.

Gaspar, o relator técnico, saiu do encontro com seu candidato a presidente e, 48 horas depois, apresentou seu relatório “ético e imparcial”. E o que diz este documento forjado com tamanho esmero? Trocando em miúdos, o valente alagoano culpa o PT e o governo por todos os males – e inocenta a família Bolsonaro e seus grandes aliados.

Com base no vazio e em divagações politiqueiras, Gaspar pede o indiciamento de Lulinha, o filho de Lula. Pede também que ele seja preso. Motivo: o acusado viajou ao lado do Careca do INSS e, pecado mortal, tem residência fora do Brasil. São alegações ridículas à luz de princípios básicos do direito. Papelada vai para o lixo.

Como este blogueiro já escreveu mais de uma vez, a CPI seguiu os rumos previsíveis. Sim, porque diante de um presidente e um relator parciais – movidos por seus interesses espúrios –, não havia chance de algo virtuoso sair dessa bagaça. Prevaleceu a chicana.

No relatório, Gaspar ainda propõe que as CPIs tenham mais poderes do que têm hoje. Se atualmente a margem para presepada está nas alturas, imagine se Suas Excelências ampliarem direitos e prerrogativas. Aí o Congresso vira de vez uma delegacia de polícia.

Alfredo Gaspar deve estar satisfeito com o conjunto da obra – tirando a acusação do petista Lindbergh. Afinal, ao longo de meses produziu um acervo para “cortes” que devem aparecer em sua campanha eleitoral. Quanto à CPI, um circo inútil ao Brasil.