O deputado federal Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke lançaram uma bomba em Brasília na última sexta-feira. O petista e a filiada ao Podemos acusaram o deputado federal Alfredo Gaspar de crime de estupro. Segundo eles, receberam um material detalhado – incluindo gravações – que traria provas contra o parlamentar alagoano. A dupla procurou a Polícia Federal para pedir investigação dos fatos.

O caso não tem mais volta. Ou seja, terá de ser esclarecido de um jeito ou de outro – ou melhor, do jeito certo, dentro da lei. Lindbergh e Thronicke falaram até umas horas, incluindo uma entrevista coletiva. Diante da avalanche do que já disseram, não há margem para que, amanhã, venham dizer que tudo não passou de um mal-entendido.

Resumindo, segundo a denúncia, Gaspar engravidou uma adolescente após cometer o estupro. A garota teve um filho que foi registrado em nome de outras pessoas. Ainda de acordo com os acusadores, houve suborno – ou uma tentativa, não está claro – para que a vítima ficasse calada. O silêncio teria custado 400 mil reais.

O juiz. Em texto anterior, publiquei a nota do deputado Alfredo Gaspar. Além de repudiar as acusações, ele afirma que vai processar os denunciantes. Ao se defender, o relator da finada CPI do INSS acabou trazendo para o meio do tumulto o juiz Maurício César Breda. Gaspar afirma que Lindbergh e Thronicke confundiram os casos.

Outro dado confuso é o vídeo de uma mulher que faz a defesa de Gaspar. Lourilene Pereira da Silva afirma não ser filha do deputado, e sim do juiz Maurício Breda, fruto de “relação consensual”. Ela mostra um documento que seria um teste de DNA sobre sua paternidade. Gaspar, que é primo do magistrado, compartilhou o vídeo. 

Mas o que uma história tem que ver com a outra? Não faço uma microscópica ideia. É outra ponta solta nesse enredo que surpreendeu o Brasil e especialmente Alagoas. Thronicke afirmou no X que a jovem do vídeo não é a personagem da denúncia levada à PF por ela e Lindbergh. Esse nevoeiro precisa ser dissipado logo.

No debate público, não interessa a vida particular de ninguém. Menos ainda quando se trata de disputas políticas. Agora, deve-se ter todo o interesse possível quando se trata de violência e crime. Esta é a diferença que precisa prevalecer no episódio em questão.

Um caso de polícia no meio de uma guerra eleitoral. O entorno de Gaspar teme efeitos negativos em sua investida para a eleição que está chegando. A ver o que acontece a partir desta segunda-feira, após a ressaca do fim de semana explosivo.