Depois de quase sumir do mapa, o PSDB tenta se manter vivo, com alguma relevância, na política brasileira. Falar em protagonismo, no entanto, seria um exercício de ficção científica. Do ano passado para cá, o partido perdeu seus três governadores: Raquel Lyra (PE), Eduardo Leite (RS) e Eduardo Riedel (MS). Foi uma tacada duríssima na legenda, quase um tiro de misericórdia. Mas o que sobrou do tucanato resiste.

Sob o comando de Aécio Neves, a legenda vai fechando alianças que, se vitoriosas nas urnas, podem dar uma recalibrada que parecia impossível de acontecer. Além de Aécio, o veterano Tasso Jereissati caiu em campo para costurar apoios a candidaturas fortes nas disputas estaduais. Nessa onda, a última novidade é a investida em Alagoas.

A filiação do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, faz parte desse movimento de repaginada pelo Brasil. A suspeita mais forte é de que JHC será candidato ao governo. No Nordeste, além de Alagoas, o partido terá Ciro Gomes como candidato a governador do Ceará. Como o PSDB, Ciro tenta escapar do buraco em que se meteu.

Já o ex-senador Marconi Perillo é a aposta de peso na disputa pelo governo de Goiás. Ele já comandou o Estado e foi também senador. O desafio é bater o atual vice Daniel Vilela, que tem o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado. Até o ano passado, Perillo esteve à frente da operação para recuperar o partido, percorrendo todo o país.

Para obter êxito nesse projeto de se tornar grande de novo, tem de tudo. Nos últimos dias, soube-se que o senador Rodrigo Pacheco – quase candidato a governador de Minas – trocou ideias com Aécio. O curioso é que Pacheco tem o presidente Lula como o maior entusiasta de sua virtual candidatura. Há um ruído com o PT mineiro.

E vejam como o inusitado é marca inegável nas maquinações políticas. Depois de deixar o PSDB e se filar ao PSD, para tentar ser candidato a presidente, o gaúcho Eduardo Leite pode retornar à velha casa. A reviravolta seria consequência direta da decisão do PSD em lançar Ronaldo Caiado na corrida presidencial, descartando Leite e Ratinho Junior.

São apenas alguns exemplos da engenharia para recuperar o avariado partido que, com Fernando Henrique Cardoso, governou o país por oito anos. Além disso, foi protagonista até as eleições de 2014. A partir de 2018, afundou e, como disse, quase evaporou.

O ex-governador Téo Vilela – desde sempre a maior liderança tucana por aqui – se animou com a opção JHC. Se tudo der certo, para eles, Alagoas dará sua contribuição para tirar o gigante da UTI. Falta apenas combinar com Sua Excelência, o eleitor.