O plano foi anunciado pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, durante manifestação na avenida Paulista, em 29 de junho do ano passado. “Se vocês me derem, por ocasião das eleições do ano que vem, cinquenta por cento da Câmara e cinquenta por cento do Senado, eu mudo o destino do Brasil. Nem preciso ser presidente”. Condenado a 27 anos e três meses de prisão, ele não desistiu da investida. O sujeito não pensa em outra coisa.

A tropa bolsonarista está em campo com a missão de seguir à risca a orientação que recebeu do chefe. Nesse sentido, é o próprio presidiário que decide quais serão os nomes do PL para a disputa ao Senado. Valdemar Costa Neto, o presidente do partido, confirma que não interfere na formação da lista. Isso é com o manda chuva Bolsonaro.

Além do PL, siglas alinhadas com as pautas da extrema direita fazem parte da trama. A obsessão da família Bolsonaro é o impeachment de ministros do STF, sobretudo Alexandre de Moraes, visto como algoz do “mito”. Com maioria no Senado, a bandalha se assanha para levar adiante o projeto de achincalhar o Supremo.  

Vamos lembrar que isso não decorre do que Moraes e outros ministros teriam feito durante o governo Bolsonaro. Antes mesmo da eleição do Jair em 2018, o filho Eduardo apareceu num vídeo explicando a receita para “fechar o STF”. Bastariam um cabo e um soldado. Ou nem isso. A alma golpista dessa gentalha está na praça desde o berço. 

Então, segundo essa plataforma criminosa, ficamos assim: a escolha de senadores – que exercem oito anos de mandato – exige como requisito inafastável a obediência aos interesses da família miliciana de Bolsonaro. A vaga para ter a legenda e se candidatar depende desse compromisso com a baderna institucional. Que coisa!  

Na triagem do PL, pergunta-se ao aspirante ao parlamento brasileiro: “Topa virar senador para ser pau-mandado do Jair Messias e detonar o Supremo”. Quem responder “sim”, de modo claro e rastejante, tá dentro! Propostas para os estados que possam melhorar a vida da população? Besteira. Falar em projeto para o Brasil é para os fracos.

Pensando em Alagoas, dos nomes citados como eventuais candidatos ao Senado, quais se encaixam no perfil lambe-botas do capitão da tortura? Quem falou Alfredo Gaspar, acertou em cheio. Mas essa é fácil. Embora haja outras figuras problemáticas, não consigo pensar em alguém mais extremista do que o xerifão e deputado federal.

Onde o país foi parar! Antigamente, bem ou mal, o candidato tinha de apresentar ideias sobre educação, saúde, geração de emprego etc. Agora, não mais. Para o maior partido no Congresso Nacional, basta a promessa de fidelidade a um marginal preso por golpe de Estado. O eleitor decidirá se é isso o que pode melhorar a vida no país.