Uma trajetória que parecia destinada ao topo da política brasileira acabou de maneira ao mesmo tempo trágica e melancólica. Mais ou menos por aí. Em 2014, Aécio Neves perdeu a eleição para Dilma Rousseff por uma diferença de menos de 3%. Obteve pouco mais de 51 milhões de votos. Dilma foi reeleita por 54,5 milhões de eleitores. Durante boa parte da apuração, o tucano aparecia à frente da petista – e vislumbrou a vitória.

Ali, o rival do PT deu um passo em falso ao contestar o resultado das urnas. Fez isso para, em suas palavras, “infernizar” o governo reeleito. Ao pedir a recontagem dos votos, o candidato derrotado alegou o barulho nas redes sociais. Ou seja, antecipou o discurso arruaceiro que Jair Bolsonaro levaria às últimas consequências anos depois.

Como não houve fraude nenhuma na apuração, restava ao então senador e ao PSDB de modo geral se preparar para uma nova tentativa em 2018. Com aquela monumental votação, Aécio certamente iria se impor entre os tucanos como o melhor nome na próxima eleição. Mas, em 2017, uma bomba de efeito devastador mudou a história.

Foi quando o empresário Joesley Batista entregou às autoridades a gravação de uma conversa entre ele e Aécio. No áudio, o político pede 2 milhões de reais ao dono da JBS. No diálogo, os dois discutem detalhes de como o dinheiro seria entregue. Em 2022, cinco anos após o escândalo, a Justiça absolveu o mineiro da denúncia de corrupção.

Em 2018, quando ainda era réu no caso, Aécio sabia que não teria chances de renovar o mandato de senador. Para garantir alguma sobrevida, fez uma campanha quase clandestina à Câmara Federal. Obteve pouco mais de 100 mil votos e se elegeu deputado. Agora em 2026, deve mais uma vez concorrer ao mesmo cargo.

O novo parceiro do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, completou 66 anos no último dia 10 de março. Quatro décadas atrás, ele apareceu para o Brasil com a imagem de um jovem cheio de charme e energia, ao lado do avô Tancredo Neves (foto). “Aecinho” era o herdeiro natural do presidente eleito que não tomou posse naquele país de 1985.

Enquanto esteve no auge, Aécio era o queridinho de várias celebridades, disputado para baladas e convescotes na curtição de bacanas. Ele próprio parecia um artista de cinema ou da música, como diziam seus amigos mais chegados. Governador de Minas, presidente da Câmara e senador, foi um dos poderosos da República.

Tudo aquilo passou. Sua imagem é associada hoje à decadência política. Mas ele tenta recuperar alguma relevância, de novo como presidente nacional do PSDB. É nesta posição que Aécio Neves corre o país em busca de novos parceiros e alianças. Com a filiação de JHC ao partido, Alagoas dá uma força para resgatar um fantasma.