Com essa calmaria toda pelo Brasil afora, sem grandes problemas no dia a dia dos poderes da República, o tédio toma conta nos ambientes da política. Diante do cenário desanimado e sem graça, a deputada federal Tabata Amaral teve uma ideia. Por que não um projeto de lei para tornar mais firme o combate ao antissemitismo entre nós? Afinal, ou se resolve essa parada ou os brasileiros estaremos condenados ao martírio sem fim.
A prática de antissemitismo é tipificada como crime no Brasil faz um bom tempo. Mas a parlamentar do PSB acha pouco. Ela propõe ampliar o rol de situações que podem ser enquadradas nesse delito penal. Resultado: o projeto apresentado na Câmara deflagrou mais uma carnificina nas redes sociais. Agora sim, a animação está de volta.
O ponto explosivo no texto é o que torna qualquer crítica ao governo de Israel um ataque aos judeus. A parlamentar, é claro, nega essa intenção, mas o que está escrito, sim, abre uma janela para essa interpretação. Logo, se você classifica o governo de Benjamin Netanyahu como genocida, lascou-se. Vai direto pra cadeia.
Os críticos apontam que, do jeito que está posto no projeto, a iniciativa tem como consequência a censura escancarada. É uma forma de intimidação para silenciar toda e qualquer crítica legítima ao governo de um país. Israel ganha o status de intocável. No pântano virtual, Tabata é alvo de ataques em termos inomináveis.
O caso provocou tamanho escarcéu que alguns deputados retiraram suas assinaturas do Projeto de Lei. É que a deputada havia seduzido um bocado de colegas a assinar com ela essa investida, digamos, de caráter pretensamente humanitário.
Na turma dos arrependidos, está a deputada Heloisa Helena, da Rede, que assinou o documento como coautora da ideia. Com a repercussão pra lá de negativa, a alagoana se apressou em retirar suas digitais do troço que, parece, é mesmo descabido.
Os demais desistentes se limitaram a solicitar a retirada da assinatura. Ninguém explicou por que assinou e, depois, por que desistiu de manter o autógrafo de apoio à proposta. Pode-se especular que entenderam ser no mínimo controverso o que está ali.
Já Heloisa Helena voltou atrás, mas não admite que tenha cometido algum erro. Jogou a culpa nos assessores e avisa que pode haver punição. Retira o aval ao projeto, “considerando a inclusão feita inadvertidamente pela assessoria sem minha permissão, e medidas administrativas serão tomadas”.
Não sabia que assessores parlamentares têm todo esse poder, a ponto de enfiar a assinatura de um deputado num projeto – sem que este político tome conhecimento. Se é assim, o Legislativo precisa mudar esse mecanismo, e com urgência. Que perigo!
