Nas últimas semanas, os maiores veículos da imprensa brasileira trouxeram uma enxurrada de informações sobre pagamentos do banco Master a autoridades, advogados, afamados da TV e figurões da República em geral. São todos dados sigilosos, protegidos por lei. Qualquer pessoa que levar a público o que está em segredo de Justiça comete um crime grave. O que explica então o volume descomunal do que vem sendo publicado? Como e por que isso virou algo tão rotineiro?
É simples. O país tem uma usina de vazamentos ilegais instalada – vejam a loucura! – na sede do Poder Legislativo brasileiro. Sim, tudo isso que chega às manchetes e gera debates em podcasts tem como origem os gabinetes de deputados e senadores. Para o pior Congresso Nacional da história, o que ocorre hoje em dia é bem natural.
Para ser mais preciso: o vazamento criminoso é obra de duas CPIs: a do INSS e a do crime organizado. A primeira é aquela cujo relatório foi rejeitado em votação pela maioria. Na condição de relator, o deputado Alfredo Gaspar produziu um panfleto bisonho, uma peça de marketing eleitoreiro cujo destino teria de se a lata do lixo.
Já a CPI do Crime Organizado – que assim como a do INSS não dará em nada – teve no senador Alesandro Vieira (foto) o mesmo tipo de relator padrão Gaspar. Eles se diferenciam na encenação. Enquanto o alagoano recorre ao histrionismo, ao pagode farsesco, Vieira posa de paladino indignado, mas sempre muito contrito e solene.
O STF autorizou que essas comissões tivessem acesso a dados de investigação nos casos do INSS e do banco Master. Foi a mesma coisa que entregar o ouro aos bandidos. Em plena temporada eleitoral, deputados e senadores foram com tudo nessa investida.
A CPI acaba funcionando como um bunker para quadrilheiros a serviço de projetos políticos. A forma escancarada como se dá o chamado “vazamento seletivo” desmoraliza de vez a razão de ser de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Sempre foi problemático, mas agora o funcionamento desses colegiados bateu o nível mais rasteiro.
No ano passado, já havia ocorrido outro vexame no Senado, com a CPI das Bets. O relatório da senadora Soraya Thronicke também foi rejeitado. Ela recomendava o indiciamento de influenciadores e não incomodava os bandidões que mandam na jogatina virtual. Os depoimentos pareciam números de picadeiro.
Como se percebe, resta demonstrado que CPI é oportunidade para aventureiros em busca de vantagens eleitorais. Quando a campanha começar, vamos ver os melhores momentos de Alfredo Gaspar e outros protagonistas dessas comissões avacalhadas.
Para encerrar, insisto: os vazamentos de agora levam a calamidade a patamares inéditos na bandidagem forjada no Legislativo. O que fazer? Ora, acabar de vez com essa piada que de nada serve para o país. Sim, CPI deveria ser banida do parlamento brasileiro.
