A seis meses da eleição, Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula em cenário de segundo turno, aponta nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado 11 de abril. O senador do PL e nome da extrema direita registra 46% das intenções de voto contra 45% do presidente que busca a reeleição. No levantamento anterior do instituto, o placar era de 46% a 43%, mas a favor do petista. Mudou tudo ou mais ou menos?

Como vem ocorrendo nos últimos dois anos, analistas não param de prever o fim do mundo para as pretensões de Lula. E, mesmo assim, pesquisa a pesquisa, o quadro segue radicalmente equilibrado. Era assim quando Jair Bolsonaro ainda constava na lista pesquisada. Os votos migraram naturalmente de pai para filho. 

O mesmo padrão de disputa cabeça a cabeça se repetia com o nome do governador Tarcísio de Freitas como o adversário de Lula. Em todas essas situações, a liderança de um nome ou de outro sempre se deu nos marcos da margem de erro. Sem favorito.

Aliás, nunca fez sentido a hipótese de que a eleição poderia ser decidida em primeiro turno. Mesmo nos melhores momentos do inquilino do Planalto, jamais ocorreu um descolamento pra valer do principal oponente – fosse qualquer um dos citados acima.

Vale o mesmo para o filho de Bolsonaro. A vantagem numérica de agora confirma o potencial do senador candidato, mas atesta, outra vez, que a briga é voto a voto. Projetar um cenário semelhante ao que se viu em 2022, isto sim, faz sentido, e muito.

O momento não é dos melhores para Lula. Na oscilação permanente da rotina política, entre um escândalo e uma crise, Flávio Bolsonaro atravessa uma onda melhor. Também num eventual segundo turno com Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, a vantagem do presidente caiu diante dos dois ex-governadores. Haveria também um empate técnico.

O problema para Caiado e Zema é o primeiro turno. Os dois não passam de 5%, enquanto Lula e Flávio têm 39% e 35% respectivamente. Ou seja, a dupla precisaria reinventar a roda para atacar não o eleitorado de Lula, mas o de Flávio. Afinal, nesse caso se trata de uma guerra particular na ultradireita. E aí, sim, a parada está decidida.

A não ser, como disse, que Zema ou Caiado descubram uma mágica para convencer o eleitorado de Jair Bolsonaro a trocar o filho do “mito” por um “bolsonarista duvidoso”. Ficou claro isso? Não há terceira via dentro da ultradireita ainda refém de Bolsonaro.

Do lado de Lula, o desafio é escapar das armadilhas que qualquer confusão política provoca no governo de turno. Mesmo quando o governo nada tem a ver com o troço. É mostrar serviço e realizações. No mais, a perspectiva é de jogo duro, com diferença mínima entre vencedor e vencido. É o que está desenhado no mapa de agora.