Fernando Haddad no Lugar de Lula. A hipótese de que o presidente não disputaria a reeleição, sendo substituído pelo ex-ministro da Fazenda, circulou nos últimos dias como nunca havia ocorrido até agora. O debate foi desencadeado por uma fala do próprio Lula em entrevista ao ICL Notícias. O petista disse não saber se será candidato. Suspense? Não. Na frase seguinte, a candidatura já estava lá, de volta e sem ressalvas.
Por que então Lula decidiu alimentar essa possibilidade na opinião pública? A primeira hipótese entre analistas nada simpáticos ao personagem é de que essa alternativa não está de fato descartada. E o fator determinante para isso seria uma eventual disparada de Flávio Bolsonaro, deixando Lula muito para trás. O risco de derrota forçaria a troca.
Além do fator exclusivamente eleitoral – ou seja, falta de votos –, Lula poderia ter problemas caso sua saúde baqueasse. A oposição tenta explorar a variável idade. Aos 80 anos, ele aparece todo dia fazendo exercício na academia e praticando corrida. Até agora, a comparação com o norte-americano Joe Biden não encontra liga na realidade.
À entrevista no ICL juntou-se uma reportagem na Folha jogando lenha na mesma fogueira. Segundo Monica Bergamo, o mercado soltaria rojões caso Lula pulasse fora e entregasse o bastão para Fernando Haddad. Segundo essa narrativa em off, os grandes agentes financeiros aprovam a gestão do ex-ministro na pasta da Fazenda.
E por fim a pesquisa Datafolha também mostraria um Lula em situação delicada. Já escrevi sobre o cenário em texto anterior. Nas projeções de segundo turno, Flávio apareceu numericamente à frente de Lula. É a primeira vez que isso é registrado no Datafolha. A diferença é de três pontos e confirma a linha ascendente do Zero Um.
Um dado adicional que atesta a parada difícil que Lula enfrenta é o desempenho de Ronaldo Caiado e Romeu Zema, também em simulação de segundo turno contra o presidente. Lula ganha de ambos, mas num empate técnico. Até o levantamento anterior, havia uma diferença acima de 10 pontos. É claramente o voto anti-Lula em ação.
A direita em geral e o bolsonarismo em particular comemoram os números do Datafolha, em alguns casos até com euforia desmedida. Do lado petista, cautela e o discurso segundo o qual nada disso é o fim do mundo – e afinal a campanha nem começou. Tirante o oba-oba na imprensa, Lula fora da urna é quase um delírio.
